O ano de 2026 deverá um divisor de águas na percepção do mercado para a Localiza (RENT3). Após um período prolongado de volatilidade no pós-pandemia, a combinação entre estabilização operacional e expectativa de queda do custo de capital voltou a colocar a companhia no centro das discussões entre investidores.
Para o BTG Pactual (BPAC11), a locadora volta a se apresentar como uma das principais teses domésticas associadas ao ciclo de afrouxamento monetário no Brasil.
A trajetória recente da Localiza ajuda a explicar essa mudança de humor. Depois de ser uma das ações favoritas do mercado, negociando a múltiplos elevados, a RENT3 atravessou uma fase marcada por envelhecimento da frota, aumento da depreciação e reconhecimentos contábeis relevantes, especialmente após mudanças em programas de incentivo à indústria automotiva. Esse cenário levou a companhia ao pico de pessimismo ao longo de 2024 e início de 2025.
A partir do terceiro trimestre do ano passado, sinais de estabilização começaram a aparecer, sobretudo na dinâmica de depreciação, abrindo espaço para uma leitura mais construtiva.
“Apesar de ter sido um claro vencedor apoiado por tendências macro favoráveis, o aspecto micro da tese seguiu pressionado durante o primeiro semestre. O sentimento melhorou a partir do 3T, especialmente quando o micro começou a mostrar sinais de estabilização, principalmente no tema de depreciação”, afirmam os analistas do BTG Pactual, em relatório sobre as perspectivas da companhia para 2026
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Juros mais baixos destravam crescimento e reprecificação para a Localiza
Na avaliação do banco, 2026 tende a consolidar esse processo. Com a diferença entre o retorno sobre o capital investido (ROIC) e o custo de capital voltando a níveis mais normalizados, a Localiza deve retomar gradualmente uma estratégia de crescimento, priorizando volume e utilização da frota à medida que o custo de capital recua.
A expectativa é de avanço do lucro líquido em torno de 20% ao ano, combinado com potencial de expansão de múltiplos, em um ambiente de juros mais baixos
O BTG estima que, nesse cenário, a ação possa negociar em uma faixa de 13 a 14 vezes o lucro, acima do patamar atual, ainda considerado razoável e abaixo das médias históricas.
Entre os principais catalisadores monitorados estão a evolução dos preços de veículos novos e usados, a redução do custo da dívida, a melhora da acessibilidade no mercado automotivo e o aumento do volume de vendas de Seminovos, fator considerado central para manter a depreciação sob controle.
“Juros mais baixos impactam a Localiza de várias formas positivas, como menor custo da dívida e do capital próprio, além de sustentarem o mercado automotivo, permitindo preços mais competitivos e ajudando volumes”, destaca o BTG Pactual
Apesar do rali observado após os resultados do terceiro trimestre, o banco avalia que o posicionamento em Localiza ainda permanece abaixo do observado em ciclos anteriores, com investidores ajustando suas exposições de forma dependente dos dados mais recentes sobre preços e volumes do setor.
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A melhora do sentimento entre gestores
Não é apenas o BTG Pactual que está mais otimista com a Localiza, o mercado em si está olhando com outros olhos a locadora.
Uma pesquisa feita pelo Itaú BBA com gestores no início de dezembro mostrou que 25% dos entrevistados veem a Localiza como a large cap com maior potencial de valorização nos próximos seis meses, ante 15% registrados em agosto. Entre os investidores estrangeiros, a percepção também avançou de forma relevante: 22% passaram a apontar a companhia com essa expectativa, contra apenas 4% no mesmo período, segundo levantamento citado pelo Brazil Journal.
A leitura reforça a avaliação de que a ação voltou a ganhar espaço nos portfólios à medida que a tese de queda dos juros no Brasil se tornou mais clara, especialmente entre investidores que buscam exposição a ativos domésticos sensíveis ao custo de capital.
No balanço final, a avaliação do BTG é de que a tese da Localiza volta a ganhar tração em 2026, ancorada principalmente na expectativa de queda do custo de capital e na normalização operacional observada ao longo dos últimos trimestres.






