O mercado acionário brasileiro inicia 2026 com perspectivas positivas, impulsionado principalmente pelo ciclo de queda dos juros no Brasil. Segundo análise do BTG Pactual, a combinação de política monetária mais favorável e um ambiente político relativamente silencioso nos primeiros meses do ano cria condições para um bom desempenho das ações no curto prazo.
No entanto, o relatório destaca que esse movimento não será linear. A proximidade das eleições presidenciais e a fragilidade fiscal do país tendem a elevar a volatilidade ao longo do ano, exigindo dos investidores uma postura mais defensiva e seletiva. A recomendação do banco é clara: equilíbrio e diversificação devem guiar as decisões no mercado acionário brasileiro em 2026.
Portfólio do BTG de ações para janeiro

Juros em queda sustentam o mercado no curto prazo
De acordo com o BTG Pactual, o principal vetor de alta para o mercado acionário brasileiro no início de 2026 é a expectativa de cortes na taxa Selic. A equipe econômica do banco projeta uma redução acumulada de 300 pontos-base ao longo do ano, levando os juros para cerca de 12% ao final do período.
Sobre esse cenário, o analista Carlos Sequeira afirma: “Acreditamos que a melhor estratégia no curto prazo é manter um portfólio equilibrado, mais inclinado a se beneficiar da queda dos juros”. Segundo ele, setores como utilities, infraestrutura, varejo e empresas intensivas em capital tendem a ser os principais beneficiados.
A análise também ressalta que, mesmo com a desaceleração da atividade econômica, a redução dos custos financeiros deve melhorar os resultados das empresas listadas, especialmente aquelas com maior exposição ao mercado doméstico.
Volatilidade política deve ganhar força ao longo do ano
Apesar do cenário construtivo no início de 2026, o BTG alerta que o ambiente político ganhará relevância à medida que o calendário eleitoral avance. O mercado acionário brasileiro tende a reagir de forma mais sensível às pesquisas eleitorais e à definição dos principais candidatos à Presidência.
Carlos Sequeira destaca no relatório: “À medida que nos aproximamos do dia da eleição, as pesquisas se tornarão o fator mais importante para os mercados, e os portfólios devem se tornar mais defensivos na segunda metade de 2026”. A avaliação é que disputas apertadas aumentam o prêmio de risco exigido pelos investidores.
Além disso, a situação fiscal permanece como o maior desafio estrutural do país. Com dívida elevada e déficits nominais altos, o mercado deve continuar atento às sinalizações de compromisso com o ajuste das contas públicas no próximo ciclo político.
Portfólio mais equilibrado é a estratégia recomendada
Diante desse contexto, o BTG Pactual optou por ajustar sua carteira recomendada, buscando maior equilíbrio entre setores defensivos e cíclicos. O banco aumentou a exposição ao setor financeiro, manteve peso relevante em utilities e empresas de fluxo de caixa previsível, e ampliou a proteção cambial por meio de exportadoras.
Segundo Carlos Sequeira, “operações financeiras bem geridas tendem a ser relativamente defensivas, performando bem tanto em mercados fortes quanto em cenários mais desafiadores”. A lógica é reduzir a vulnerabilidade do portfólio a choques políticos ou macroeconômicos, sem abrir mão de oportunidades de valorização.
Assim, o mercado acionário brasileiro começa 2026 com fundamentos que sustentam o otimismo, mas exige disciplina, diversificação e atenção redobrada aos riscos que devem surgir ao longo do ano.






