A trajetória de desalavancagem da Dexco (DXCO3) está no centro da nova tese do Santander (SANB11), que iniciou a cobertura da companhia com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 7,20 para 2026. Para o banco, o compromisso da administração em reduzir o endividamento, aliado à perspectiva de queda da taxa básica de juros, pode funcionar como um dos principais catalisadores para as ações nos próximos trimestres.
Segundo o relatório, a estratégia de desalavancagem combina melhora operacional com monetização seletiva de ativos. O Santander estima que a venda de ativos não operacionais — como plantas desativadas, terrenos industriais e créditos tributários — pode gerar entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões. Já eventuais desinvestimentos em ativos operacionais, incluindo operações internacionais como o negócio de painéis de madeira na Colômbia, poderiam levantar algo entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões.
A monetização de terras e ativos florestais também está no radar. Embora essas iniciativas ainda não estejam incorporadas nas projeções do banco, sua eventual concretização representaria um vetor adicional de desalavancagem.
Cenário construtivo
No campo operacional, o cenário também é construtivo. O Santander destaca a resiliência do mercado imobiliário, mesmo diante de juros elevados, sustentando a demanda por produtos da companhia. A divisão de Madeira vive momento favorável, impulsionada por oferta restrita e preços elevados, além da vantagem competitiva da integração vertical.
As divisões de Metais, Louças e Revestimentos, que passaram por um processo de turnaround iniciado em 2023, já mostram sinais de recuperação, com estoques normalizados e ganhos de eficiência. A expectativa é de melhora gradual dos resultados financeiros a partir de 2026.
Outro ponto positivo é a LD Celulose, que acelerou seu ramp-up e já produz acima da capacidade originalmente divulgada. O novo modelo de financiamento corporativo também contribuiu para reduzir o endividamento mais rapidamente que o esperado.
Por fim, o valuation é visto como descontado. A Dexco negocia a 5,6 vezes EV/EBITDA, abaixo da média histórica de 7,5 vezes. Para o Santander, à medida que a desalavancagem avance e as divisões em recuperação consolidem resultados, há espaço para um re-rating das ações.
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