A Allos (ALOS3) deverá continuar entregando dividendos com uma remuneração elevada aos acionistas nos próximos anos, mesmo com os juros altos e o endividamento das famílias pressionando o varejo. A avaliação é do BTG Pactual após um encontro com Rafael Sales, CEO da companhia.
O banco projeta dividendos líquidos de R$ 3,48 por ação e dividend yield de 12% em 2026, 2027 e 2028. Ao mesmo tempo, a Allos deverá manter a alavancagem próxima de duas vezes a dívida líquida sobre o EBITDA.
A previsão de dividendos acompanha a recomendação de compra para ALOS3. O preço-alvo de R$ 39 representa potencial de valorização de 34,2% diante dos R$ 29,07 considerados no relatório. Com os proventos, o retorno total estimado chega a 46,1%.
O encontro também contou com Diego Canuto, responsável pela área de Relações com Investidores. Entre os temas discutidos estavam a destinação do capital, a situação dos lojistas, a redução das despesas administrativas e o crescimento da Helloo, subsidiária de mídia digital.
“Embora a companhia deva continuar buscando oportunidades, por meio de expansões nos ativos existentes e aquisições, ainda deverá conseguir manter uma remuneração robusta aos acionistas nos próximos anos e a alavancagem sob controle”, afirmam Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, analistas do BTG Pactual.
PublicidadePublicidade
O que sustenta os dividendos da Allos?
A capacidade de manter os pagamentos passa pela maior seletividade na destinação do capital. Diante do custo elevado dos financiamentos, a Allos deverá priorizar projetos com retornos mais atraentes e evitar investimentos que comprometam o controle da dívida.
A companhia continuará avaliando aquisições e expansões nos shopping centers que já integram seu portfólio. Essas operações, entretanto, deverão ocorrer de forma oportunista e sem competir diretamente com a remuneração dos acionistas.
O BTG também identifica espaço para novas reduções nas despesas gerais e administrativas nos próximos trimestres. Os ganhos decorrem do programa Simplifica Allos, criado para integrar processos e capturar eficiências após a combinação dos negócios que originou a companhia.
A sustentação dos dividendos também depende do desempenho operacional dos shopping centers. Embora o ambiente macroeconômico prejudique as vendas do varejo, a Allos vem apresentando resultados superiores aos do setor.
“A perspectiva para os varejistas é difícil, mas a Allos vem superando o desempenho do setor. Seu portfólio é mais resiliente, o mix de lojistas é ajustado continuamente, a vacância permanece baixa e a inadimplência está controlada”, avaliam os analistas.
Segundo o CEO, esse desempenho está relacionado ao processo de qualificação do portfólio. A companhia vem reduzindo a exposição aos ativos menos produtivos e direcionando recursos para shopping centers dominantes em suas regiões.
Esses empreendimentos concentram maior fluxo de consumidores e oferecem melhores condições para renovar contratos, selecionar lojistas e preservar a ocupação. Para 2027, o BTG estima receita de R$ 3,10 bilhões, EBITDA de R$ 2,31 bilhões e lucro líquido de R$ 909 milhões.
Leia também:
Helloo amplia receitas fora dos aluguéis
A Helloo aparece como uma fonte adicional de crescimento. A subsidiária comercializa publicidade em telas digitais instaladas em shopping centers, aeroportos, elevadores e outros locais de circulação.
A operação em aeroportos vem avançando acima das expectativas, enquanto a Allos pretende ampliar a presença em edifícios residenciais. A expansão aumenta a participação de receitas que não dependem diretamente dos aluguéis cobrados dos lojistas.
“A Helloo vem acelerando acima do esperado. O segmento de aeroportos avança bem, enquanto a companhia pretende buscar com mais intensidade o mercado de edifícios residenciais, o que deve manter o crescimento da receita em ritmo sólido”, apontam Cambauva e Fabris.
A reforma tributária também é considerada positiva pelo BTG, especialmente para os shopping centers dominantes. A administração trabalha com o repasse integral da nova alíquota do Imposto sobre Valor Agregado aos locatários, conforme previsto nos contratos.
A tese para os dividendos depende, contudo, da manutenção da vacância e da inadimplência em níveis controlados. Uma desaceleração mais intensa da economia, juros elevados por mais tempo, menor disponibilidade de capital ou dificuldades na locação dos espaços podem reduzir a capacidade de distribuição da companhia.






