A Frasle Mobility (FRAS3) lucrou R$ 88 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 76% em um ano. O Ebitda somou R$ 282 milhões, avanço de 18,4%, com margem recorde de 20,4%.
A receita líquida ficou em R$ 1,385 bilhão, alta de apenas 1,8% em 12 meses e de 10,8% ante o trimestre anterior. Sem o efeito do câmbio, o crescimento anual teria sido de 6,5%.
“As melhorias operacionais e as sinergias da Dacomsa levaram a rentabilidade a um recorde”, escrevem Luiza Mussi e Lucas Melotti, do Safra.
Câmbio ajuda os custos e pressiona a receita
O custo dos produtos vendidos caiu 4% em um ano, favorecido pelo real mais forte sobre componentes importados, por mix melhor e pela otimização da cadeia de suprimentos. A margem bruta chegou a 35,6%, ganho de 3,6 pontos percentuais.

“Vemos a surpresa positiva de margem como o destaque de hoje”, afirmam Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP.
O trimestre também contou com R$ 6 milhões em créditos tributários extemporâneos reconhecidos no custo. Sem esse item, a margem Ebitda teria ficado em 20,0%, ainda 2,4 pontos percentuais acima da registrada um ano antes.
“O peso relativo dos benefícios cambiais e das melhorias operacionais ainda não está inteiramente claro”, ponderam Luiza Mussi e Lucas Melotti, do Safra.
Mercado doméstico puxa o crescimento
A receita no Brasil somou R$ 684 milhões, alta de 9%, com o mercado de reposição avançando 10%. Pesaram a favor a normalização das operações da Nakata após a troca do sistema de gestão, a melhor disponibilidade de produtos e os reajustes de preços.
Já a receita externa recuou 4% em reais, para R$ 700 milhões, embora tenha subido 7,5% em dólares. A Dacomsa, no México, e a recuperação gradual dos veículos pesados nos Estados Unidos compensaram parte da pressão de preços na Argentina. Os volumes consolidados cresceram 6%.
“A combinação de melhor crescimento e margens deve ser bem recebida pelo mercado”, escrevem Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.
Alavancagem cai, mas valuation limita
A dívida líquida caiu para 1,3 vez o Ebitda, ante 1,6 vez no primeiro trimestre e 2,2 vezes um ano antes. O capital de giro encolheu para 62 dias, contra 95 dias no segundo trimestre de 2025, e o capex somou R$ 22,4 milhões, o equivalente a 1,6% da receita.
“Vemos o resultado como levemente positivo, sobretudo pela confirmação de uma melhora relevante de margens”, avaliam Daniel Federle e Ricardo França, do Bradesco BBI.
O Bradesco BBI mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 24,00, diante de uma ação negociada a cerca de 16 vezes o lucro estimado para 2026. O BTG Pactual calcula 6 vezes o valor da firma sobre o Ebitda do ano, e a XP trabalha com 18 vezes o lucro de 2026 e 14 vezes o de 2027.
“Os níveis atuais de lucratividade são consistentes com as elevadas expectativas incorporadas às ações”, escrevem Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP.






