A B3 ($B3SA3) lucrou R$ 1,700 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 28,2% em um ano e de 15,2% ante o trimestre anterior. O número contábil, porém, embute efeitos não recorrentes. O lucro recorrente ficou em R$ 1,380 bilhão, avanço de 8% em 12 meses.
A receita bruta somou R$ 3,081 bilhões, com alta de 12,2% em um ano e queda de 3,8% na comparação trimestral. O Ebitda recorrente chegou a R$ 1,940 bilhão, com margem de 70,1%.
Daniel Vaz e Rafael Nobre, do Safra, listam os extraordinários do período. Foram R$ 124 milhões de ganho com a venda da fatia na Dimensa, R$ 41 milhões de despesas com a troca da diretoria e R$ 19 milhões de correção monetária.
“Vemos o trimestre como amplamente sem novidades uma vez retirados os itens não recorrentes“, escrevem Daniel Vaz e Rafael Nobre, do Safra.
O volume médio diário negociado (ADTV) em ações caiu de R$ 36,7 bilhões no primeiro trimestre para R$ 31,3 bilhões, ainda 20,1% acima de um ano antes. Depois do fechamento do período, o indicador recuou para R$ 26,0 bilhões em julho e R$ 22,6 bilhões em agosto, o menor nível desde outubro de 2025.
“A desaceleração dos volumes ainda não parece ter encontrado um piso“, afirmam Eduardo Nishio e Alan Frydman, da Genial.
Em derivativos, a receita caiu 1,3% em um ano, para R$ 882 milhões, com volume médio diário de 11,1 milhões de contratos, queda de 8,3%. A pressão veio dos criptoativos, cujo volume encolheu 84,5%, enquanto a receita por contrato subiu 4,1%, para R$ 1,18.
Receitas recorrentes seguram o resultado
As linhas recorrentes cresceram 17,3% em um ano, contra 7,9% das pró-cíclicas. Renda fixa e crédito somou R$ 385 milhões, alta de 17,2%, e as soluções analíticas de dados da Trillia chegaram a R$ 315 milhões, com avanço de 22%.
“A diversificação vem ajudando a reduzir gradualmente a sensibilidade dos resultados aos volumes”, escrevem Eduardo Nishio e Alan Frydman, da Genial.
Tecnologia e plataformas faturou R$ 531 milhões, alta de 15,1%, e as soluções para o mercado de capitais somaram R$ 201 milhões, com crescimento de 25,8%. O trimestre também trouxe R$ 11,6 bilhões em ofertas de ações, incluindo o primeiro IPO em cerca de cinco anos, de R$ 3,0 bilhões.
“Os negócios recorrentes mantiveram crescimento de dois dígitos”, apontam Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, da XP.
As despesas totais alcançaram R$ 976 milhões, alta de 15,5% em um ano. A alíquota efetiva caiu para 17,2%, beneficiada pela distribuição de R$ 1,110 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP), dos quais R$ 750 milhões referentes a saldos de exercícios anteriores.
“A leitura é neutra a levemente positiva, com resultados em linha”, avaliam Marcelo Mizrahi e Ricardo França, do Bradesco BBI.
Recomendações divididas
A Genial reiterou compra, com preço-alvo de R$ 22,10, e destaca que a ação negocia a 13,4 vezes o lucro projetado para 2026, ante 22 vezes das principais bolsas globais. O Bradesco BBI também recomenda compra, com alvo de R$ 21,00. Safra e BTG Pactual seguem neutros.
“As tendências na margem parecem menos favoráveis”, escrevem Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual.
O banco acrescenta que a transição de comando merece acompanhamento, com a chegada do novo presidente, Christian Egan, e cita um ambiente competitivo mais duro em 2027, quando devem começar a operar A5X, Base Exchange e CSD BR.
EuQueroInvestir News: Tudo sobre investimentos, de segunda a sexta, no seu e-mail!