A Ágora Investimentos espera uma reação neutra do mercado ao balanço da São Carlos (SCAR3) no segundo trimestre de 2026. A companhia vendeu R$ 742 milhões em ativos no período e passou a apresentar caixa líquido, mas a redução do portfólio pressionou as receitas de aluguel e os resultados recorrentes.
A receita de aluguel somou R$ 15,5 milhões, queda de 66% na comparação anual e de 30% em relação ao primeiro trimestre. Já a receita de serviços alcançou R$ 3,2 milhões, com crescimento de 146% em um ano e de 10% na base trimestral, impulsionada pela estratégia de assessoria a fundos imobiliários.
O EBITDA recorrente da São Carlos atingiu R$ 4,5 milhões, recuo de 87% ante o segundo trimestre de 2025. O FFO recorrente, indicador que mede a geração de caixa das operações imobiliárias, ficou negativo em R$ 2,4 milhões. Um ano antes, a companhia havia registrado resultado negativo de R$ 2 milhões, enquanto o indicador ficou zerado no primeiro trimestre de 2026.
“Esperamos uma reação neutra do mercado. Os números financeiros refletiram a redução do portfólio após as vendas de ativos. A receita recorrente caiu 60% na comparação anual, apesar do crescimento de 146% na receita de serviços”, afirma a Ágora Investimentos.
Venda de ativos leva São Carlos a caixa líquido
O principal destaque do trimestre foi a venda de R$ 742 milhões em ativos, realizada a uma taxa de capitalização próxima de 8%. Esse indicador representa a relação entre a renda gerada pelos imóveis e o valor atribuído às propriedades nas transações.
Entre as operações, a São Carlos vendeu por R$ 735 milhões um portfólio de edifícios de escritórios ao FII SC Renda Imobiliária. A transação provocou uma mudança relevante na estrutura financeira da companhia.
A empresa encerrou o segundo trimestre com caixa líquido de R$ 159,7 milhões, revertendo a dívida líquida de R$ 285 milhões registrada ao final do primeiro trimestre. A melhora do balanço, contudo, veio acompanhada de uma base menor de imóveis geradores de receita, o que explica a retração dos indicadores operacionais.
Dessa forma, a Ágora indica um trimestre dividido entre o fortalecimento da estrutura de capital e a redução dos resultados recorrentes. A expansão da receita de serviços compensou apenas parcialmente a queda na arrecadação com aluguéis.
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Ágora mantém recomendação Neutra para SCAR3
Mesmo com a melhora da posição financeira e o desconto apresentado pelas ações, a Ágora manteve sua recomendação Neutra para a São Carlos.
Os papéis SCAR3 são negociados a aproximadamente 0,5 vez o múltiplo preço sobre valor patrimonial, conhecido como P/VP. Isso significa que o valor de mercado da companhia corresponde a cerca de metade de seu patrimônio líquido contábil.
“Mantemos nossa recomendação Neutra, com as ações SCAR3 negociadas a 0,5 vez o múltiplo P/VP”, informa a Ágora.
A avaliação sugere que o desconto das ações precisa ser ponderado diante do encolhimento do portfólio e da consequente pressão sobre as receitas recorrentes. A evolução da nova estratégia de serviços e a destinação dos recursos provenientes das vendas devem permanecer no radar dos investidores.






