Os investidores estrangeiros respondem por 61,1% do volume negociado em ações na B3 em 2026, maior participação da série apresentada pelo BTG Pactual, iniciada em 2018.
A presença recorde nas negociações coincide com a entrada líquida de R$ 38,6 bilhões de capital externo na bolsa brasileira neste ano. Ainda assim, a exposição dos fundos internacionais ao Brasil permanece reduzida, segundo o estudo Follow the Money.
“O apetite ao risco nos mercados globais aumentou um pouco. Os aportes estrangeiros em ações brasileiras somam R$ 38,6 bilhões no acumulado do ano”, afirma o BTG.
Depois de retiradas de R$ 14,9 bilhões em maio e R$ 7,8 bilhões em junho, os estrangeiros voltaram a registrar saldo positivo em julho. Até a data do levantamento, a entrada mensal alcançava R$ 4,7 bilhões.
Capital estrangeiro aumenta peso nas negociações da B3
A participação dos estrangeiros no volume de ações negociadas na B3 subiu de 58,3% em 2025 para 61,1% neste ano. Em 2018, essa fatia correspondia a 48,9%.
No sentido contrário, a participação das pessoas físicas caiu de 12,4% para 10,9% entre 2025 e 2026. O percentual também está abaixo dos 17,9% observados no início da série.
Os investidores institucionais locais representam atualmente 24,4% do volume, ante 25,4% no ano passado.
“O volume financeiro médio diário da B3 alcança R$ 23,7 bilhões em julho, uma alta de 16% na comparação com o mesmo período do ano anterior”, aponta o relatório.
Apesar da melhora do giro financeiro, os fundos locais de ações acumulam R$ 6,3 bilhões em resgates líquidos durante 2026. O BTG estima, porém, uma entrada de R$ 300 milhões nessa categoria em julho, depois de uma sequência de resultados mensais negativos ou próximos da estabilidade.
A preferência dos investidores brasileiros continua concentrada na renda fixa. Esses fundos receberam R$ 148,4 bilhões no acumulado do ano, o maior volume entre as categorias acompanhadas.
“Em 2024, os fundos de renda fixa retomaram a liderança na captação”, contextualiza o estudo. Os números de 2026 mostram que essa predominância permanece.
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Fundos globais ainda mantêm baixa exposição ao Brasil
A forte presença dos estrangeiros nas negociações da B3 não significa que o Brasil ocupe uma parcela elevada das carteiras internacionais.
Em maio, as ações brasileiras representavam 5,76% dos fundos dedicados a mercados emergentes, abaixo dos 7,59% registrados em março. Nos fundos globais, a participação era de 0,66%, enquanto nos portfólios globais que excluem os Estados Unidos chegava a 1,22%.
Entre os fundos dedicados à América Latina, o Brasil respondia por 57,79% das carteiras. O percentual permanece abaixo dos 65,86% observados no fim de 2019.
O BTG resume esse contraste em dois pontos: “As alocações dos investidores estrangeiros em ações brasileiras permanecem em níveis baixos”, embora “os fundos globais tenham registrado entradas relevantes nas últimas semanas”.
Com base nos aportes recebidos pelos fundos internacionais e na parcela destinada ao país, o banco estima uma entrada de US$ 3,385 bilhões em ações brasileiras no último mês.
Os dados indicam que o investidor estrangeiro recuperou protagonismo nas negociações antes que os fundos globais recompusessem de maneira mais ampla sua exposição ao Brasil.






