As incorporadoras com foco no segmento econômico continuaram liderando o ritmo de crescimento do setor imobiliário no segundo trimestre, beneficiadas pela demanda resiliente do programa Minha Casa, Minha Vida, enquanto empresas voltadas aos segmentos de média e alta renda passaram a priorizar empreendimentos de menor ticket diante da manutenção dos juros em patamares elevados.
Em relatório sobre as prévias operacionais das principais incorporadoras, o BB Investimentos destaca que Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) registraram forte expansão nos lançamentos na comparação com o mesmo período do ano passado. Já Cury (CURY3) e MRV (MRVE3) mantiveram um ritmo estável de lançamentos, embora sobre uma base de comparação já considerada elevada.
Entre as empresas com maior exposição aos segmentos de média e alta renda, Cyrela (CYRE3) e EZTEC (EZTC3) também ampliaram os lançamentos no trimestre, mas com uma estratégia mais conservadora. Segundo o banco, as companhias passaram a priorizar projetos de menor valor, que apresentam melhor absorção pelo mercado em um ambiente de crédito imobiliário ainda pressionado pelas taxas de juros.
Cury: 29º trimestre seguido de geração positiva
Além dos indicadores operacionais, o relatório destaca movimentos estratégicos das empresas. A Cury alcançou o 29º trimestre consecutivo de geração positiva de caixa. A Direcional lançou seus primeiros empreendimentos em parceria com a Moura Dubeux (MDNE3), enquanto a MRV deu continuidade ao processo de desinvestimento de suas operações internacionais. A Tenda, por sua vez, anunciou a descontinuidade de um projeto da Alea em Canoas (RS).
No caso da EZTEC, todos os lançamentos do trimestre foram concentrados na região metropolitana de São Paulo, com foco no segmento de médio padrão. Já a Cyrela reduziu a participação de empreendimentos de alto padrão em seu portfólio de lançamentos, concentrando o desempenho desse segmento na venda de estoques prontos.
Na avaliação do BB Investimentos, a perspectiva de juros elevados por mais tempo deve continuar favorecendo o segmento econômico. O banco lembra que o mais recente Boletim Focus elevou a projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 para 14%, acima dos 12,25% estimados no início do ano. Nesse cenário, os empreendimentos que dependem de financiamentos atrelados às taxas de mercado tendem a perder protagonismo até que haja maior clareza sobre o início do ciclo de afrouxamento monetário.
Por outro lado, o programa Minha Casa, Minha Vida segue oferecendo condições favoráveis de financiamento, sustentando a demanda por imóveis de menor renda e reforçando a preferência das incorporadoras por esse segmento.
O banco ressalta, no entanto, que o principal fator de risco para o setor permanece sendo a pressão dos custos de construção. Segundo o relatório, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) mostra aceleração dos preços dos materiais nos últimos 12 meses, atingindo o maior patamar desde o fim de 2022, o que pode pressionar as margens das incorporadoras nos próximos trimestres.
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