O investidor estrangeiro segue como protagonista na Bolsa brasileira em 2026. O fluxo acumulado no ano já soma R$ 46,3 bilhões, com janeiro e fevereiro concentrando os maiores aportes — R$ 26,3 bilhões e R$ 15,4 bilhões, respectivamente. Em março, o ritmo desacelerou em meio à volatilidade global, mas o saldo ainda é positivo, em R$ 4,6 bilhões.
“Apesar da desaceleração em março, o fluxo acumulado do ano ainda é expressivo, e os estrangeiros continuam comprando de forma seletiva, concentrados em setores defensivos e de commodities“, afirmam Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani, analistas do Itaú BBA.
Fonte: Itaú BBA
Energia lidera as compras
No acumulado de 2026, o setor de energia foi o principal destino dos recursos estrangeiros, com entrada de R$ 16,6 bilhões. Na sequência aparecem materiais, com R$ 12 bilhões, financeiro, com R$ 6,1 bilhões, e utilities, com R$ 4 bilhões. Os únicos setores com saída líquida de recursos no ano foram tecnologia e saúde.
Em março, o padrão se repetiu. A volatilidade global direcionou os fluxos para ativos de óleo & gás e serviços públicos.
“Os estrangeiros compraram energia e serviços públicos em R$ 5,9 bilhões e R$ 1,13 bilhão, respectivamente, enquanto saúde e consumo discricionário foram os setores mais vendidos, com saídas de R$ 1,14 bilhão e R$ 1 bilhão”, detalham os analistas.
ETFs dominam o fluxo
Grande parte do capital estrangeiro chega ao Brasil por meio de ETFs. O Itaú BBA estima que esses fundos responderam por aproximadamente 68% do fluxo total para a B3 no ano, com entrada de R$ 27,8 bilhões. Na última semana analisada, os fundos focados na América Latina registraram saldo positivo, enquanto os fundos dedicados exclusivamente ao Brasil tiveram saída líquida.
Para medir a qualidade do fluxo, o banco desenvolveu um indicador proprietário — o Foreign Breadth Indicator — que varia de zero a 100 e mede a porcentagem de ações do Ibovespa com entrada líquida de recursos estrangeiros.
“O indicador acumulado do ano está em 58, mas o score mensal recuou para 41, sinalizando um fluxo mais concentrado em poucos nomes”, explicam Gewehr, Marques e Matutani.
O setor de energia também foi o único com atribuição positiva de desempenho no mês. No acumulado do ano, respondeu por 50% do retorno do Ibovespa, seguido pelo setor financeiro, com contribuição de 20,9%, apesar das vendas recentes.