A colombiana Ecopetrol formalizou, na última segunda-feira (25), o registro de Oferta Pública de Aquisição (OPA) pela Brava Energia (BRAV3) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A oferta é voluntária e parcial, com preço fixo de R$ 23 por ação, e mira o controle da junior oil brasileira.
O leilão está marcado para 25 de junho, no sistema eletrônico de negociação da B3.
Conforme o edital divulgado pela Brava, a Ecopetrol pretende adquirir 116,11 milhões de ações ordinárias, fatia que corresponde a aproximadamente 25% do total emitido pela companhia.
OPA da Brava: Termos da oferta
O lance dos R$ 23 não traz ajustes monetários até o leilão. Caso a OPA seja bem-sucedida, a Ecopetrol passará a deter 51% do capital social da Brava, somando o bloco já contratado em abril com a nova fatia capturada na bolsa.
A formalização da OPA complementa o fato relevante de 23 de abril, quando a colombiana anunciou ter celebrado o Contrato de Compra e Venda de Ações (SPA) com acionistas relevantes da Brava, entre eles os fundos Somah Printemps Quantum Group (veículo ligado à Queiroz Galvão), Jive e Yellowstone.
A conclusão do SPA depende de aprovação do Cade e da própria atração de 51% do capital votante por meio da oferta.
Para o analista Regis Cardoso, da XP, a estrutura desenhada pela Ecopetrol é semelhante à adotada na ISA Energia (ISAE3; ISAE4), também controlada indiretamente pela petroleira colombiana.
“Esperamos que a Brava permaneça listada no Brasil, ainda que com um acionista controlador claramente definido — a própria Ecopetrol, que é listada na Colômbia”, afirmou Cardoso em relatório.
No pregão desta terça-feira (26), as ações da Brava operavam em leve baixa de 0,45%, cotadas a R$ 19,84, segundo dados do Google Finance capturados às 10h41. O preço da OPA representa prêmio em torno de 15% sobre a cotação corrente. Sobre a média ponderada dos últimos 90 dias, o prêmio sobe para cerca de 27,8%, conforme cálculo da Genial Investimentos.
Mercado divide opiniões
A leitura do sell-side, contudo, vai além do prêmio nominal. O time de análise da Genial recomenda que o minoritário não adira ao leilão e classifica a oferta como pouco atraente.
“Achamos que a oferta subavalia o preço do ativo sob múltiplos fronts”, escreveram os analistas, citando ausência de prêmio de controle, preço abaixo do cenário mais conservador das certificações de reserva da companhia e desvios em relação ao consenso de preço-alvo do mercado.
A casa também pondera que o ciclo estrutural dos preços do petróleo deveria sustentar propostas mais generosas por ativos do setor. A Genial pondera, ainda, que o ceticismo do mercado com a Brava — herdada da fusão entre 3R Petroleum e Enauta — explica parte da saída de investidores financeiros, mesmo a preços que consideram subavaliados.
Já a XP enxerga o desconto entre a cotação e o preço da OPA como reflexo do risco de execução da operação.
“O desempenho negativo dos papéis após o anúncio das transações da Ecopetrol precifica já o risco de execução, ou seja, a possibilidade de a operação não ser concluída”, avaliou Cardoso, que também cita o valor do dinheiro no tempo até o leilão e o preço da participação remanescente após a OPA.
Os bancos estrangeiros, por sua vez, ajustaram a recomendação para baixo. O JP Morgan rebaixou BRAV3 de compra para neutra e cortou o preço-alvo de R$ 23 para R$ 20. O Morgan Stanley também moveu a recomendação para neutra e fixou o preço-alvo em R$ 23, exatamente o valor da oferta, encerrando qualquer upside relevante sobre o lance da colombiana.
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Próximos passos
O Conselho de Administração da Brava está avaliando termos, condições e impactos da oferta com seus assessores. A companhia tem prazo de 15 dias, a contar da divulgação do edital, para publicar parecer fundamentado sobre a OPA, conforme determinam o artigo 21 do Regulamento do Novo Mercado, o artigo 52 da Resolução CVM nº 215 e o artigo 16, “uu” do estatuto social.
Esse documento deve indicar se o colegiado recomenda ou não a adesão ao leilão e tende a balizar a decisão dos minoritários até o dia 25 de junho.






