A Ecopetrol, estatal colombiana de petróleo, assinou contrato para adquirir aproximadamente 26% do capital social da Brava Energia (BRAV3), tornando-se o maior acionista da companhia brasileira.
A transação envolve a compra de 120,8 milhões de ações ordinárias de diversos vendedores, incluindo o Grupo Somah Printemps Quantum, o Grupo Jive e a Yellowstone.
Para atingir o controle efetivo, a Ecopetrol pretende lançar uma OPA parcial voluntária ao preço de R$ 23 por ação — prêmio de 27,8% sobre o VWAP (média ponderada dos preços) dos 90 dias anteriores ao anúncio —, limitada ao número de ações necessárias para alcançar 51% do capital votante.
“A conclusão da transação está sujeita às condições precedentes habituais, incluindo a aprovação do CADE”, destacam os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do Bradesco BBI.
Pontos positivos da operação
O Bradesco BBI reconhece virtudes na Ecopetrol como futura controladora.
“A Ecopetrol é uma empresa bem administrada, com histórico vasto e consistente no setor de exploração e produção em terra, tendo superado seus concorrentes na adição de reservas por meio de recuperação aprimorada”, avaliam Falanga e França.
A colombiana também traz músculo financeiro relevante, com geração de caixa prevista entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões em 2026, assumindo preços do petróleo próximos a US$ 80 por barril.
Outro benefício potencial está no custo da dívida. “O custo da dívida da Ecopetrol é muito menor do que o da Brava, o que poderia trazer sinergias imediatas”, apontam os analistas — com os títulos da colombiana rendendo menos de 7% em dólares, ante mais de 9% estimados para a Brava.
Preocupações que não podem ser ignoradas
Entretanto, o Bradesco BBI também elenca riscos relevantes.
O custo de extração da Ecopetrol chegou a US$ 12,20 por barril de óleo equivalente em 2025 — crescimento anual médio de 9,6% nos últimos cinco anos, ante US$ 6,44 da Petrobras no mesmo período.
“Priorizar rentabilidade em detrimento do crescimento das reservas será fundamental, e a Ecopetrol tem um dos custos de extração mais altos em nossa cobertura na América Latina”, alertam Falanga e França.
A governança corporativa também levanta questões. Como empresa estatal, a Ecopetrol troca de gestão a cada quatro anos — o que traz incertezas sobre a continuidade estratégica.
“Desde o IPO da 3R em 2020, esta será a quarta acionista de referência da Brava, o que influencia o moral dos funcionários”, ressaltam os analistas.
Por fim, a expertise offshore da Brava — liderada por Carlos Travassos e considerada a joia da coroa da companhia — precisará ser preservada por um novo controlador que, até agora, sempre operou ativos fora da Colômbia com parceiros experientes.






