A Fitch Ratings colocou os ratings de longo prazo em moeda local e estrangeira da Brava Energia (BRAV3) em ‘BB-’ em observação positiva (Rating Watch Positive – RWP). A agência também colocou em observação positiva as notas garantidas de US$ 500 milhões da 3R Lux com vencimento em 2031, além do rating nacional de longo prazo da companhia em ‘AA-(bra)’.
A decisão ocorre após o anúncio da colombiana Ecopetrol sobre a aquisição de uma participação de 26% na Brava e a proposta de compra de 51% das ações com direito a voto por meio de uma oferta pública para o restante do capital. Caso a operação seja concluída, os ratings da Brava poderão ser beneficiados pelos incentivos estratégicos de suporte da estatal colombiana. A aquisição da fatia inicial de 26% ainda depende de determinadas condições, incluindo a conclusão bem-sucedida da oferta pública.
Os ratings atuais da Brava refletem a escala ainda limitada da companhia, mas também consideram a diversificação de ativos, as reservas robustas, a alavancagem financeira moderada e em queda, além da melhora contínua na eficiência operacional.
A Fitch Ratings afirmou que uma eventual aquisição do controle da Brava Energia pela Ecopetrol pode levar a uma elevação de um nível nos ratings da companhia brasileira.
Segundo a agência, a entrada da petroleira colombiana fortaleceria os incentivos estratégicos de suporte à Brava, considerando a relevância da operação no mercado brasileiro e os ganhos operacionais para a Ecopetrol.
De acordo com a Fitch, a transação aumentaria em 459 milhões de barris equivalentes de petróleo as reservas provadas de óleo e gás da Ecopetrol, um crescimento de cerca de 12%. Além disso, a operação elevaria a produção e o Ebitda consolidado da estatal colombiana em aproximadamente 11% e 10%, respectivamente.
A agência também destacou que não espera incentivos legais materiais que dificultem eventual suporte da Ecopetrol à Brava caso a aquisição seja concluída.
Produção em expansão
Apesar da perspectiva positiva, a Fitch ressaltou que a escala operacional ainda limita a classificação de risco da Brava. A expectativa é de que a produção média da companhia alcance 85 mil barris equivalentes de petróleo por dia em 2026 e 93 mil barris por dia em 2028.
A agência avalia que campanhas de perfuração offshore no curto prazo, combinadas com expansão das operações terrestres e iniciativas de recuperação avançada de petróleo, devem sustentar o crescimento orgânico da empresa.
A diversificação dos ativos e a vida útil das reservas superior a dez anos ajudam, segundo a Fitch, a mitigar os riscos de execução relacionados ao aumento da produção e à incorporação de novas reservas.
Desalavancagem acelera
A Fitch projeta melhora relevante no perfil financeiro da Brava nos próximos anos, impulsionada pela alta do petróleo Brent e pela evolução operacional da companhia.
Considerando um preço médio do Brent de US$ 87 por barril em 2026, a agência estima que a alavancagem líquida cairá para 1,1 vez, ante 2,2 vezes observadas em 2025. Já a alavancagem medida por dívida líquida sobre Ebitda deve recuar de 3,7 vezes para 1,9 vez no período.
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Mesmo em um cenário de Brent mais baixo em 2027, ao redor de US$ 65 por barril, a Fitch acredita que os indicadores financeiros permanecerão em níveis administráveis, beneficiados pelo aumento de produção e pela redução pontual de investimentos offshore.
A agência destacou ainda que a Brava vem reduzindo sua alavancagem por meio do crescimento operacional, menor necessidade de capex onshore, monetização de recebíveis, compartilhamento de ativos de infraestrutura e retenção de dividendos.
Custos menores e geração de caixa
Outro ponto destacado pela Fitch foi a melhora no perfil de custos da companhia. A expectativa é de que os custos de extração recuem para cerca de US$ 17 por barril equivalente em 2026 e para US$ 15 em 2027, ante US$ 17,5 registrados em 2025.
Segundo a agência, ganhos de escala nas operações offshore devem impulsionar a eficiência operacional, enquanto a produção terrestre — responsável por cerca de 37% do volume total — contribui para maior previsibilidade do fluxo de caixa e flexibilidade nos investimentos.
A Fitch também projeta que o fluxo de caixa operacional da Brava será suficiente para cobrir os investimentos ao longo do horizonte de análise, sustentando geração de fluxo de caixa livre positivo.
A expectativa é de investimentos anuais próximos de R$ 2,7 bilhões entre 2026 e 2029, enquanto o Ebitda deve atingir R$ 7,5 bilhões em 2026 e R$ 5,9 bilhões em 2027.
As projeções ainda consideram pagamento de dividendos equivalentes a 25% do lucro e entradas adicionais de caixa relacionadas à venda da participação da Brava na unitização de Jubarte. Segundo a Fitch, a estratégia de hedge da companhia também ajuda a reduzir a volatilidade do fluxo de caixa.






