A S&P Global Ratings reafirmou o rating de crédito da Simpar (SIMH3) em “brAA+” na escala nacional, com perspectiva estável, destacando a expectativa de continuidade do processo de desalavancagem da holding nos próximos anos, apoiado por vendas de ativos, aumento de capital e gestão mais eficiente do passivo financeiro.
Segundo a agência de classificação de risco, a estratégia de reciclagem de ativos deve permanecer como um dos principais vetores para fortalecer a estrutura de capital da companhia. Em julho, a Simpar anunciou a venda da CS Porto de Aratu para a ICTSI Americas B.V. por um valor da empresa (enterprise value) de R$ 1,8 bilhão. Do montante, a holding receberá R$ 750 milhões, sendo R$ 650 milhões no fechamento da operação, previsto para este ano, e outros R$ 100 milhões condicionados ao cumprimento de metas operacionais nos próximos dois anos.
A S&P também destacou as alienações já concluídas da Ciclus Amazônica, por R$ 124,5 milhões, e da Ciclus Rio, por R$ 1,1 bilhão. Na avaliação da agência, novas vendas de ativos poderão ocorrer para monetizar investimentos realizados no passado e acelerar a redução do endividamento.
Além da reciclagem de portfólio, a Simpar reforçou sua estrutura de capital por meio de um aumento líquido de R$ 3 bilhões concluído em maio deste ano. A operação contou com aporte de aproximadamente R$ 1,2 bilhão do braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDESPar, e resultou em entradas de caixa de R$ 1,764 bilhão para a holding, além de R$ 750 milhões para a Movida e R$ 600 milhões para a Vamos.
Dívida deve continuar em queda
A agência projeta que a Simpar reduzirá cerca de R$ 1 bilhão de sua dívida bruta ainda em 2026. Até o fim de junho, a companhia já havia recomprado R$ 250 milhões em dívidas e deverá intensificar esse movimento ao longo do segundo semestre.
Em 30 de junho de 2026, a dívida líquida da holding era de R$ 1,4 bilhão. No fim do primeiro trimestre, a companhia mantinha posição de caixa de R$ 3,3 bilhões e dívida bruta de R$ 6,1 bilhões.
A S&P classificou o risco de negócio da Simpar como “excelente”, enquanto o risco financeiro permanece “significativo”. A agência atribuiu ainda avaliação neutra para estrutura de capital, administração e governança e liquidez suficiente, além de uma análise holística positiva, fatores que sustentam o perfil de crédito individual “braa+”.
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Juros elevados seguem pressionando indicadores
Apesar da melhora esperada na alavancagem, a agência ressalta que o ambiente de juros elevados continuará pressionando as métricas financeiras da companhia. A S&P elevou sua projeção para a taxa média de juros no Brasil para 14,3% em 2026 e 13,4% em 2027, acima das estimativas anteriores.
Mesmo nesse cenário, a expectativa é que as subsidiárias da Simpar mantenham iniciativas de eficiência operacional, redução de custos e gestão ativa de passivos para compensar parte do aumento das despesas financeiras.
A agência estima margem EBIT consolidada entre 19% e 20% e margem EBITDA de 26% a 26,5% nos próximos dois anos. Além disso, destaca que cerca de 70% a 80% das receitas dos principais negócios do grupo são provenientes de contratos de longo prazo, proporcionando maior previsibilidade do fluxo de caixa.
Refinanciamento não preocupa
A S&P também afirmou que não vê riscos relevantes para o refinanciamento das dívidas da Simpar no curto e médio prazo. Segundo a agência, o grupo mantém amplo acesso ao mercado de crédito doméstico e internacional, apoiado pelas recentes emissões de títulos da Movida e da Vamos, além do fortalecimento das relações com bancos e instituições multilaterais, como o IFC.
A Movida, por exemplo, captou R$ 4,3 bilhões no primeiro trimestre, reduzindo o spread médio de suas dívidas de 2,1% para 1,7%, em uma estratégia voltada ao refinanciamento de passivos.
Perspectiva estável
A perspectiva estável atribuída ao rating reflete a expectativa de que a Simpar mantenha o foco na geração de caixa, no crescimento predominantemente orgânico e na disciplina financeira, sem realizar grandes aquisições nos próximos anos.
A S&P projeta que a relação entre geração interna de caixa (FFO) e dívida fique próxima de 20% em 2026 e supere 22% em 2027. Já a cobertura de juros pelo EBIT deve permanecer em torno de 1,2 vez neste ano, avançando para aproximadamente 1,5 vez em 2027, sustentando a manutenção da classificação de risco da companhia.






