O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) fechou o 2º trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 204 milhões nas operações continuadas, 15,5% maior que o registrado um ano antes. O balanço saiu nesta terça-feira (4).
O Ebitda ajustado seguiu no sentido inverso e somou R$ 450 milhões, avanço de 7,3% sobre o mesmo período de 2025. A margem subiu 1,7 ponto percentual, para 10,6%.
Na receita, a leitura é de encolhimento deliberado. A receita bruta caiu 7,0%, para R$ 4,713 bilhões, e a líquida recuou 9,6%, a R$ 4,228 bilhões. A margem bruta, contudo, ganhou 3,1 pontos e chegou a 30,5%, puxada pelo fim do formato Aliados, pela mudança na tributação de ICMS e por uma alta de 39% nas receitas de retail media.
Ruptura nas gôndolas derruba vendas em maio
As vendas em mesmas lojas recuaram 0,8% no trimestre, com a queda concentrada em abril e maio, quando a falta de produtos nas prateleiras atingiu o pico por causa do processo de recuperação extrajudicial. Junho já voltou a crescer, com ajuda da Copa do Mundo.
“Para a sustentabilidade no negócio, entendemos ser necessário aumentar o volume de vendas, sem comprometer a rentabilidade”, escreveu Alexandre Santoro, diretor-presidente do GPA.
Dívida cai para R$ 1,182 bilhão no pro forma
A dívida líquida, incluindo recebíveis de cartão não antecipados, terminou junho em R$ 3,647 bilhões, o equivalente a 3,9 vezes o Ebitda ajustado pré-IFRS 16 dos últimos 12 meses. Considerando os termos do plano de recuperação extrajudicial e os R$ 298 milhões da venda da FIC, a conta cairia para R$ 1,182 bilhão, ou 1,3 vez.
O plano de eficiência também ajudou. A companhia capturou R$ 244 milhões em cortes no 1º semestre, 58,9% da meta anual de R$ 415 milhões, enquanto o capex do período ficou em R$ 162 milhões, 55% abaixo do ano anterior.
A homologação judicial do plano é esperada para o 3º trimestre de 2026, quando devem ser emitidas as novas debêntures.
“O resultado disso demonstra que o plano proposto foi bem equilibrado, com baixo nível de impugnação e massiva indicação de 97% dos credores escolhendo uma das alternativas de recebimento”, apontou Santoro.






