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Casas Bahia: Bradesco ainda não provisionou impacto total de RJ, diz Safra

Casas Bahia: Bradesco ainda não provisionou impacto total de RJ, diz Safra

Balanço do Digio no primeiro semestre mostrou queda nas provisões, sem sinal de reforço após o pedido de recuperação judicial

O Bradesco (BBDC4) ainda não provisionou integralmente as perdas que pode ter com a exposição à Casas Bahia (BHIA3), na avaliação do Safra revelada nesta segunda-feira (31). O banco carrega R$ 2,600 bilhões da carteira do Crediário da varejista por meio do Digio, sua instituição digital.

“Os dados mais recentes, do relatório do primeiro semestre de 2026, nos levam a pensar que o Bradesco ainda não provisionou por completo o impacto da Casas Bahia em seu balanço”, apontam Daniel Vaz e Rafael Nobre, analistas do Safra.

O que sustenta a leitura são os números do próprio Digio. O saldo em estágio 3, categoria que reúne os créditos com problema de recuperação, caiu de R$ 846 milhões em dezembro de 2025 para R$ 741 milhões em junho de 2026. As provisões correspondentes recuaram de R$ 627 milhões para R$ 540 milhões no mesmo intervalo, sem sinal de reforço.

Digio
(Imagem: Divulgação/ Digio)

Como o crédito da varejista chegou aos bancos

A carteira total do Crediário, produto de compre agora e pague depois da Casas Bahia, soma R$ 6,300 bilhões. Além do Bradesco, o Banco do Brasil (BBAS3) responde por R$ 2,4 bilhões, e o restante está distribuído em dois fundos de investimento em direitos creditórios geridos por Polígono e Redasset.

Até pouco tempo atrás, a varejista originava os empréstimos e os bancos apenas financiavam os recebíveis.

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Na prática, todos carregavam 100% do risco de crédito corporativo da companhia. Em agosto de 2025, diante da piora financeira da rede, o Bradesco reestruturou o arranjo para transferir o risco ao consumidor final, mantendo com a Casas Bahia a obrigação de reembolsar o Digio em cinco dias sempre que um cliente deixasse de pagar.

“O que nos preocupa é que a perda dada a inadimplência dessa linha aumenta bastante nesse cenário, porque as garantias da Casas Bahia ficam inacessíveis e os empréstimos podem ser tratados como sem garantia durante os 180 dias de blindagem, contados a partir de 19 de agosto”, observam Vaz e Nobre.

Fachada de agência do Banco do Brasil
Fachada de agência do Banco do Brasil (Foto: Adobe Stock)

Banco do Brasil em situação mais delicada

Com o pedido de recuperação judicial, a obrigação de reembolso passou a seguir as regras do processo e deixou de ser considerada plenamente garantida. A própria varejista estimou perdas esperadas de cerca de 25% nessa carteira, o equivalente aos R$ 655 milhões classificados como crédito concursal. O valor não é uma carteira à parte, e sim a parcela de perdas que a companhia absorveria. O resultado final pode ficar acima ou abaixo disso.

“O Banco do Brasil enfrenta um cenário ainda mais duro, já que sua carteira segue com 100% do risco de crédito da Casas Bahia e está integralmente sujeita às regras da recuperação judicial, porque entendemos que opera o produto sem a reestruturação que o Bradesco fez”, calculam Daniel Vaz e Rafael Nobre, analistas do Safra.

A recomendação do banco para as ações do Bradesco segue outperform, o mesmo que desempenho acima da média, com preço-alvo de R$ 26.

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