A XP Investimentos manteve a leitura da Smart Fit (SMFT3) como vencedora estrutural do setor de academias, mas voltou do Fitness Brasil 2026 com um retrato de concorrência bem mais dura. Os analistas participaram do evento no dia 28, ao lado de um grupo de gestoras, e visitaram o encontro da Life Fitness no dia 26.
“O cenário competitivo segue acirrado, com os concorrentes de alto valor e baixo preço sustentando um ritmo intenso de aberturas, sobretudo em cidades menores e por meio de franquias. As margens estão pressionadas pela concorrência e pela participação maior dos agregadores”, apontam Pedro Cavarina e Laryssa Sumer, analistas da XP Investimentos.
A inadimplência do setor também dá sinais de piora. O detalhe é que as academias em dificuldade costumam ser revendidas ou transferidas para novos operadores, em vez de simplesmente fecharem as portas, o que mantém a oferta de pé e prolonga a disputa por alunos.

Franquias avançam onde a Smart Fit não chega
O evento reuniu mais de 200 estandes e mais de 40 mil participantes, com presença de TotalPass e Wellhub, além de dez redes e franqueadoras. Gaviões, Panobianco, Skyfit e Ultra estiveram entre os destaques.
O que chamou a atenção dos analistas foi a oferta de equipamentos: 92 estandes de fornecedores de aparelhos esportivos e outros 24 de artigos e acessórios, com forte presença asiática ao lado de fabricantes nacionais, europeus e americanos.
Nas conversas com Sky Fit, Panobianco e Ultra, além de donos de unidades individuais, ficou claro que a expansão segue a todo vapor. Sky e Panobianco avançam sobre cidades menores, onde o embate com a Smart Fit é menos direto.
No caso da Sky Fit, o fato de a rede aceitar o TotalPass ajuda a própria Smart Fit a monetizar regiões onde dificilmente abriria uma unidade própria. Já a Panobianco opera a maior parte da rede em exclusividade com o Wellhub, após acordo firmado entre 2025 e 2026.
Agregadores ganham espaço e apertam a margem
“Redes, academias pequenas e franqueados confirmaram que os agregadores continuam aumentando sua participação na base de alunos, com reajustes reduzidos ou inexistentes nos check-ins no ano passado”, observam Cavarina e Sumer.
Mesmo com a economia pior, os agregadores continuam necessários nas regiões metropolitanas, onde a concorrência e a atividade do mercado de trabalho são altas. Alguns donos tentam controlar o fluxo restringindo os horários em que esses alunos são aceitos. Entre os operadores menores, o relato é de margens abaixo dos níveis de 2024.
“A expansão agressiva de franquias nos últimos anos, sustentada por fornecedores chineses de equipamentos que oferecem financiamento em até 100 parcelas mensais, aumentou a canibalização e deixou os franqueados em posição financeira frágil. Essa crise já está se desenrolando e deve se intensificar nos próximos anos”, projetam Pedro Cavarina e Laryssa Sumer, analistas da XP Investimentos.






