A carteira de small caps do Santander terá um ativo fora do universo tradicional de empresas de menor capitalização em setembro. O banco incluiu o Trend ETF LBMA Ouro (GOLD11), com peso de 9%, para adicionar proteção ao portfólio diante das incertezas econômicas e geopolíticas.
Para abrir espaço, a Marcopolo (POMO4) foi retirada da seleção. O Santander também reduziu em 1 ponto percentual a participação da C&A (CEAB3), que passou a representar 8% da carteira. As demais posições foram mantidas.
A mudança procura diminuir a sensibilidade do portfólio às oscilações do mercado e reduzir a concentração em companhias dependentes do desempenho da economia brasileira.
“Visando reduzir o beta da carteira e a exposição em nomes cíclicos domésticos, optamos pela inclusão do ETF de ouro (GOLD11) no portfólio. O ouro é considerado um ativo de refúgio, sendo, por vezes, uma forma de diversificar a carteira de investimentos, especialmente em momentos de incerteza econômica, inflação ou volatilidade do mercado”, afirmaram os estrategistas Ricardo Peretti e Alice Corrêa.
GOLD11 adiciona proteção à carteira
O GOLD11 busca acompanhar, em reais, o comportamento do ouro negociado no mercado internacional. Como o ativo de referência é denominado em dólares, seu desempenho na B3 reflete tanto a variação do metal quanto as oscilações da moeda norte-americana em relação ao real.
Na avaliação do Santander, a escassez do ouro contribui para a preservação de seu poder de compra. O metal também costuma ganhar procura em períodos de aversão ao risco, quando investidores buscam reduzir a exposição a ações e outros ativos mais sensíveis ao ciclo econômico.
“Do ponto de vista de reserva de valor, seguimos acreditando que a manutenção de uma parcela do patrimônio alocada em ouro pode ser uma estratégia adequada para os investidores. Nesse sentido, destacamos três fatores que devem contribuir para manter a demanda pelo metal resiliente”, afirmou o relatório.
O primeiro fator é a ampliação das reservas de ouro pelos bancos centrais, movimento que reduz parcialmente a dependência dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O segundo é a recorrência de tensões geopolíticas, como os conflitos envolvendo Irã e Estados Unidos e Rússia e Ucrânia.
O terceiro está relacionado às dúvidas sobre a independência do Federal Reserve. Para o Santander, uma percepção maior de risco institucional poderia enfraquecer o dólar globalmente e favorecer a procura por ouro.
A proteção, contudo, não elimina riscos. O banco menciona a volatilidade do metal, um eventual fortalecimento global do dólar e a elevação dos juros dos títulos públicos norte-americanos, que poderia aumentar a atratividade de ativos remunerados em relação ao ouro.
Resultado mais fraco tira Marcopolo da seleção
A saída da Marcopolo não é uma mudança na recomendação estrutural do Santander para a companhia. O banco continua com indicação de compra e visão positiva para o médio e o longo prazo, mas considera que alguns fatores podem limitar o interesse pelas ações no curto prazo.
No segundo trimestre de 2026, o Ebitda recorrente da fabricante de carrocerias de ônibus atingiu R$ 349 milhões, resultado 8% inferior ao consenso. A rentabilidade foi pressionada pelo maior peso de produtos de menor valor agregado, principalmente micro-ônibus, e pela inflação de custos.
“Embora sigamos avaliando a Marcopolo com visão construtiva no médio e longo prazo — inclusive com recomendação oficial de ‘Compra’ —, acreditamos que a entrega de um resultado mais fraco no 2T26, aliado a menor visibilidade sobre o ritmo e mix de produção no 2º semestre, poderá conter o interesse dos investidores no curto prazo”, justificou o Santander.
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Como ficou a carteira de small caps do Santander?
A maior posição da carteira em setembro será a Orizon (ORVR3), com peso de 11%. Alupar (ALUP11), Direcional (DIRR3) e Iguatemi (IGTI11) terão 10% cada.
Além do GOLD11, com 9%, essa será também a participação de Hypera (HYPE3), Sanepar (SAPR11) e Smart Fit (SMFT3). A 3tentos (TTEN3) e a C&A terão 8% cada, enquanto o Banco Mercantil (BMEB4) ficará com 7%.
A alteração ocorre após a carteira recuar 5,30% em agosto, ante queda de 1,58% do índice Small Cap da B3. Em 2026, o portfólio acumulava baixa de 17,38%, enquanto o benchmark recuava 5,90%.
Desde sua criação, em julho de 2016, entretanto, a seleção acumula valorização de 139,23%, acima dos 117,19% do índice Small Cap. O beta dos últimos 12 meses estava em 0,87. O relatório não apresentou uma estimativa de quanto a entrada do ouro poderá reduzir esse indicador.







