Depois de anos adotando uma postura cautelosa, o BTG Pactual (BPAC11) passou a enxergar uma oportunidade de curto prazo nas ações da CSN (CSNA3). O banco abriu um call de compra tática diante da expectativa de que a chegada de Fábio Schvartsman ao comando da companhia acelere a venda de ativos e a redução do endividamento.
A mudança não significa que o BTG considere resolvidos os problemas estruturais da CSN. A aposta é que sinais concretos de melhora na gestão financeira sejam suficientes para mudar a percepção dos investidores e provocar uma reprecificação das ações antes mesmo de o balanço ser completamente ajustado.
No relatório publicado nesta terça-feira (8), as ações CSNA3 eram negociadas a R$ 6,36. O preço-alvo de 12 meses do banco, de R$ 10, um potencial de valorização de 57,2%.
“Os investidores não precisam de um balanço completamente reparado para que a ação funcione. A confiança crescente de que a mudança está chegando pode ser suficiente para uma reprecificação no curto prazo”, afirmam Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, analistas do BTG Pactual.
Venda da CSN Cimentos será o primeiro teste
O endividamento continua sendo o principal ponto de atenção. A CSN encerrou o segundo trimestre de 2026 com aproximadamente R$ 42 bilhões em dívida líquida e uma relação entre dívida líquida e EBITDA de 3,49 vezes. Segundo o BTG, a geração de caixa livre segue pressionada, enquanto as despesas financeiras consomem uma parcela relevante do caixa operacional.
Nesse contexto, a possível venda da CSN Cimentos aparece como o primeiro grande teste de Schvartsman. A companhia já recebeu propostas e estimava um prazo adicional de cerca de 40 dias para escolher a melhor oferta, com a possibilidade de concluir a transação até novembro.
O BTG avalia que o fechamento do negócio ajudaria a transformar o plano de redução da dívida em algo concreto. A CSN pretende levantar entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões com um programa mais amplo de desinvestimentos.
Além do negócio de cimento, a companhia considera vender participações minoritárias em ativos de infraestrutura e energia, desfazer-se de operações internacionais e, posteriormente, buscar um parceiro estratégico para a divisão de siderurgia.
Na leitura dos analistas, mesmo uma execução parcial do plano poderia produzir um efeito relevante. Isso acontece porque a CSN combina uma dívida elevada com um valor de mercado relativamente pequeno, tornando as ações mais sensíveis a qualquer melhora na percepção sobre o balanço.
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Por que o BTG ainda recomenda CSNA3 como neutra?
A compra tática procura capturar uma possível valorização no curto prazo provocada pela mudança de percepção. A recomendação oficial de 12 meses, porém, permanece neutra, já que o BTG ainda espera avanços efetivos na redução da dívida e na geração de caixa livre antes de adotar uma visão estruturalmente positiva.
A chegada de Schvartsman reforça a expectativa de mudança. O executivo possui passagens por Vale (VALE3), Klabin (KLBN11) e Ultrapar (UGPA3) e recebeu o mandato de priorizar o corte da alavancagem, a venda de ativos e a disciplina na alocação de capital.
O banco pondera, contudo, que Benjamin Steinbruch continuará como presidente do conselho de administração e terá papel estratégico na companhia. Por isso, os analistas não projetam uma transformação imediata na governança ou nas decisões de investimento.
“Ainda não é uma indicação de que os problemas estruturais da CSN foram resolvidos”, ressalta o relatório.
Para o BTG, a compra tática depende da execução da venda da CSN Cimentos e da construção de credibilidade em torno dos demais desinvestimentos. Sem avanços concretos, a alavancagem elevada e a geração insuficiente de caixa continuam limitando uma recomendação positiva de longo prazo.






