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Ação da CSN dispara 5% após troca de CEO, mas mercado ainda não comemora

Ação da CSN dispara 5% após troca de CEO, mas mercado ainda não comemora

Bradesco BBI vê a nomeação como positiva para a governança, mas mantém a recomendação neutra e aponta a desalavancagem como o ponto central da tese

As ações da CSN (CSNA3) sobem quase 5% nesta quinta-feira (3), em reação à troca no comando da siderúrgica. Benjamin Steinbruch deixa a presidência executiva depois de duas décadas e assume a presidência do conselho de administração, enquanto Fabio Schvartsman, que já comandou Vale e Klabin, passa a dirigir a companhia.

Apesar da reação positiva do mercado, nem o Bradesco BBI nem a XP Investimentos alteraram suas recomendações. As duas casas seguem neutras para o papel.

“Vemos a nomeação como positiva do ponto de vista de governança corporativa e potencialmente relevante para a execução do plano de desalavancagem”, apontam Rafael Barcellos e Renato Chanes, analistas do Bradesco BBI.

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Na leitura do banco, a chegada de um executivo com experiência ampla pode trazer mais disciplina na alocação de capital, destravar os desinvestimentos e melhorar a comunicação com o mercado. O ponto principal da tese, porém, continua sendo a capacidade de concluir as monetizações previstas e reduzir de fato a dívida.

A conta de R$ 41 bilhões até 2030

A XP fez uma análise das necessidades de caixa do grupo e chegou a um número que dimensiona o tamanho do desafio: cerca de R$ 41 bilhões entre o 3º trimestre de 2026 e 2030, somando consumo operacional, amortizações de dívida e distribuições aos acionistas.

“Nossa conclusão é que a companhia deve ser capaz de cumprir suas obrigações, contando com um plano abrangente, embora crível, de financiamento, que esperamos ser o mandato mais importante de Fabio Schvartsman como novo CEO da CSN”, dizem Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, analistas da XP Investimentos.

O plano tem três pernas. O refinanciamento de dívidas bancárias responderia por cerca de R$ 20 bilhões, os pré-pagamentos de minério de ferro por aproximadamente R$ 13 bilhões e as vendas de ativos por algo entre R$ 17 bilhões e R$ 18 bilhões.

Nessa última linha, a corretora assume a monetização do negócio de cimento, estimada em R$ 12,500 bilhões e com fechamento previsto para os próximos meses, e a venda parcial de participação em ativos de infraestrutura, por volta de R$ 5,000 bilhões.

Geração de caixa pressionada

O pano de trás dessa conta é uma conversão de caixa mais apertada. A XP estima que as operações do grupo consumam cerca de R$ 17 bilhões no mesmo período, por conta dos investimentos da CSN Mineração (CMIN3) no projeto de expansão P15, das despesas financeiras maiores na holding e do ambiente mais fraco para a siderurgia no Brasil.

A corretora fixou preço-alvo de R$ 7,00 por ação para a CSN e de R$ 6,50 para a mineradora, em projeções para 2027.

“Vemos uma assimetria relativamente melhor para a CSN, uma vez que consideramos esse plano de desalavancagem alcançável”, projetam Laghi, Nippes e Urbano.

A ação da controladora acumula queda de 36% no ano, e a mineradora negocia a cerca de 18 vezes o lucro projetado para 2027, considerando o minério de ferro a US$ 95 por tonelada.

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