O Safra enxerga caminhos opostos para as duas empresas do grupo CSN na bolsa. Para a siderúrgica CSN (CSNA3), o banco cortou o preço-alvo de R$ 11,30 para R$ 6,10, mas passou a ver a redução do endividamento com mais confiança, mantendo recomendação neutra.
Já na CSN Mineração (CMIN3), a recomendação underperform, equivalente à venda, foi reiterada, com preço-alvo de R$ 5,40, ante R$ 5,80 — e o banco diz esperar um ponto de entrada melhor no papel.
“Agora vemos um caminho de desalavancagem mais crível, mas seguimos neutros, já que a execução ainda precisa se traduzir em resultados tangíveis”, escreveram os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro.
Dívida de R$ 40,5 bilhões no centro
O pano de fundo é duro: desde a última atualização do banco, a ação da CSN despencou 47%, enquanto o Ibovespa subiu 10%, com o múltiplo de valor da firma sobre o Ebitda projetado encolhendo de 4,8 para 4,2 vezes.
A dívida líquida atingiu R$ 40,5 bilhões no primeiro trimestre, com alavancagem de 3,4 vezes o Ebitda.
“A crise do crédito privado provocou uma expansão dos spreads nos mercados local e externo e mais escrutínio das agências de rating, piorando a perspectiva de rolagem da dívida da CSN”, apontaram os analistas do Safra.
As cartas na manga da siderúrgica
O corte do preço-alvo reflete a piora das perspectivas para mineração e logística, que mais do que compensou o desempenho melhor de aço e cimento — justamente as divisões que sustentam o lado otimista da história.
“Esperamos que o desempenho superior do aço continue, com potencial adicional vindo de possíveis medidas antidumping sobre bobinas a quente até o fim de 2026”, avaliaram Monegaglia e Isidoro.
Contra o risco de liquidez, a companhia tem munição: além do plano de desinvestimentos, que ganhou tração, a venda de fatias em ativos de logística poderia destravar cerca de R$ 7 bilhões, e a disputa judicial com a Ternium oferece entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em recursos potenciais.
“Avaliamos o negócio de cimento em mais de R$ 10 bilhões, o que pode ajudar a cobrir cerca de R$ 22 bilhões em vencimentos entre 2026 e 2028 e sustentar a rolagem da dívida”, calcularam os analistas.
CMIN: cara e sob pressão
Na mineradora, o tom é outro. A ação caiu 3% desde a última revisão, mas saltou 34% das mínimas de maio, impulsionada por uma recompra de cerca de 37 milhões de ações — perto de 9% das ações em circulação. Para o banco, o fôlego não deve durar: a projeção é de Ebitda 20% menor em 2026, com custos de diesel e frete marítimo em alta.
“Esperamos pressão renovada sobre a ação, já que os fundamentos do minério de ferro permanecem fracos e os custos seguem pressionados”, ponderaram os analistas.
O preço na bolsa também não ajuda: no múltiplo considerado justo pelo banco, a cotação atual embute um minério a cerca de US$ 118 por tonelada, bem acima da estimativa do Safra de US$ 99 para 2027, enquanto o fluxo de caixa deve seguir apertado com o avanço dos investimentos no projeto P15.
“A preocupação de que a CMIN continue a apoiar as necessidades de liquidez da CSN nos impede de adotar uma visão mais positiva”, concluíram Monegaglia e Isidoro.
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