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Braskem (BRKM5) deve ter 4T25 mais fraco com pressão em spreads e volumes

Braskem (BRKM5) deve ter 4T25 mais fraco com pressão em spreads e volumes

Prévia da XP aponta queda de receita e Ebitda da Braskem (BRKM5) no quarto trimestre de 2025, com pressão de spreads, volumes mais fracos e efeito negativo dos estoques

A Braskem (BRKM5) deve reportar um quarto trimestre de 2025 mais fraco, pressionado pela queda dos spreads petroquímicos, volumes menores e efeitos negativos de estoque, segundo prévia da XP para os resultados que serão divulgados nesta quinta-feira (26). 

A casa projeta deterioração nas principais linhas do balanço, em um trimestre ainda marcado pelo ciclo de baixa da indústria.

A XP estima receita de R$ 15,5 bilhões, queda de 10% ante o terceiro trimestre de 2025 e de 19% na comparação anual. O Ebitda projetado é de R$ 480 milhões, recuo de 41% na base trimestral e de 14% em um ano. Já a última linha deve vir no vermelho, com prejuízo líquido estimado em R$ 2,7 bilhões.

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Pressão nos spreads

Na avaliação da corretora, o principal vetor de pressão segue sendo o ambiente internacional mais adverso para a petroquímica. A combinação de spreads mais baixos e menor volume vendido deve comprometer a rentabilidade da companhia no quarto trimestre, em um contexto ainda desfavorável para os principais produtos da empresa.

“Esperamos uma deterioração significativa nos resultados, com receita de R$ 15,5 bilhões (-10% t/t, -19% a/a), Ebitda de R$ 480 milhões (-41% t/t, -14% a/a), ou US$ 89 milhões, e prejuízo líquido de R$ 2,7 bilhões”, escreveram os analistas da XP.

No Brasil, a pressão veio tanto das resinas quanto dos principais químicos. Segundo a casa, os spreads de resinas recuaram 13% em relação ao terceiro trimestre de 2025, enquanto os spreads dos principais produtos químicos caíram 9% no mesmo intervalo. Nos mercados internacionais, o cenário também foi negativo, especialmente para o polietileno.

“Os spreads petroquímicos internacionais permaneceram sob pressão no trimestre, prolongando a tendência negativa observada nos trimestres anteriores. Os spreads de PE foram particularmente afetados, tanto o PE-Nafta quanto o PE-Etano apresentando queda de 15% t/t”, apontou a corretora.

Além da piora dos spreads, a XP chama atenção para o efeito contábil negativo dos estoques, provocado pela queda dos preços do petróleo e da nafta no período. Esse movimento, segundo a casa, deve agravar a fraqueza operacional do trimestre, embora possa se reverter parcialmente no primeiro trimestre de 2026.

“O desempenho mais fraco do quarto trimestre de 2025 também se explica por efeitos negativos de estoque, à medida que os preços do petróleo (e da nafta) diminuíram, uma tendência que esperamos reverter com um primeiro trimestre de 2026 mais forte”, afirmou a XP.

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Queda nas vendas

A prévia também mostra enfraquecimento das vendas. O volume total vendido pela Braskem (BRKM5) somou 2,31 milhões de toneladas, queda de 4% ante o terceiro trimestre e de 5% na comparação com o quarto trimestre de 2024. A retração foi puxada sobretudo pelo Brasil, ainda que parcialmente compensada pelo melhor desempenho do México.

No mercado brasileiro, a taxa de utilização do etileno caiu para 59%, com recuo de 6 pontos percentuais na comparação trimestral e de 11 pontos em um ano. A XP atribui esse movimento a uma parada programada na Bahia e à menor disponibilidade de matéria-prima em São Paulo.

“No Brasil, a taxa de utilização do etileno caiu para 59% (-6 pp t/t; -11 pp a/a), impactada por uma parada programada na Bahia e menor disponibilidade de matéria-prima em São Paulo. As vendas de resinas caíram -5% t/t, enquanto os principais produtos químicos registraram queda de -13% t/t devido à demanda mais fraca”, observou a XP.

A exceção ficou com a operação mexicana. Após a parada para manutenção da Braskem Idesa, a taxa de utilização subiu para 92%, com avanço de 51% nas vendas de polietileno na comparação trimestral. Ainda assim, o tom geral da prévia segue negativo.