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Spreads fracos e queima de caixa mantêm pressão sobre a Braskem

Spreads fracos e queima de caixa mantêm pressão sobre a Braskem

Embora a companhia tenha apresentado sinais pontuais de melhora em mercados como Estados Unidos e México, o banco avalia que o cenário estrutural ainda é desafiador

A cautela com a Braskem (BRKM5) permanece no radar do mercado, segundo relatório divulgado pelo BTG Pactual (BPAC11) após a prévia operacional do quarto trimestre de 2025. Embora a companhia tenha apresentado sinais pontuais de melhora em mercados como Estados Unidos e México, o banco avalia que o cenário estrutural ainda é desafiador e deve continuar pressionando os resultados e o balanço da petroquímica.

O principal fator por trás da visão conservadora é a continuidade da fraqueza nos spreads petroquímicos — diferença entre o preço de venda dos produtos e o custo das matérias-primas. De acordo com o relatório, os spreads seguem em trajetória de enfraquecimento em praticamente todas as regiões e linhas de produtos, o que compromete a rentabilidade mesmo diante de alguma recuperação de volumes fora do Brasil.

No mercado doméstico, que representa a principal unidade de negócios da companhia, o desempenho foi particularmente fraco. Os volumes de resinas caíram 9% na comparação anual, impactados por parada de manutenção na Bahia e demanda mais fraca, especialmente em polipropileno (PP) e PVC. Além disso, a taxa de utilização das centrais petroquímicas recuou para 59%, bem abaixo dos 70% registrados um ano antes. Os spreads no Brasil também apresentaram deterioração relevante tanto para resinas quanto para químicos básicos.

Mercado exterior

Nos Estados Unidos e na Europa, houve crescimento de volumes, impulsionado por maior demanda por PP no mercado norte-americano. No México, a normalização das operações após interrupções no trimestre anterior também contribuiu para melhora operacional. Ainda assim, o BTG ressalta que os spreads nessas regiões também recuaram na comparação trimestral, limitando o impacto positivo sobre o resultado consolidado.

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O banco projeta EBITDA de cerca de US$ 86 milhões no quarto trimestre, acompanhado de nova queima de caixa. Com geração de fluxo de caixa negativa, a alavancagem deve continuar subindo, elevando a pressão sobre a estrutura de capital.

Nesse contexto, o relatório indica que a companhia pode precisar de ajustes mais profundos, como conversão de dívida em capital, alongamento ou até injeção de recursos, medidas que podem gerar diluição para acionistas minoritários. Diante desse quadro, o BTG mantém postura cautelosa em relação à Braskem.