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Copom deveria interromper cortes na Selic, diz BTG

Copom deveria interromper cortes na Selic, diz BTG

Por ora, o banco trabalha com um corte de 25 pontos-base na reunião deste mês, levando a uma taxa Selic de 14,25%

O Comitê de Política Monetária (Copom) deveria interromper o ciclo de cortes da taxa Selic para preservar a credibilidade da política monetária e garantir espaço para novas reduções dos juros no futuro. Essa é a avaliação de analistas do BTG Pactual (BPAC11), que veem riscos na continuidade do afrouxamento monetário diante das expectativas de inflação ainda desancoradas. Por ora, o banco trabalha com um corte de 25 pontos-base na reunião deste mês, levando a uma taxa Selic de 14,25%.

Segundo o banco, embora o mercado esteja concentrado nos próximos movimentos da taxa básica de juros, o foco do Banco Central deve estar cada vez mais voltado para as projeções de inflação de longo prazo, especialmente às referentes a 2028. Na avaliação dos economistas, as decisões de política monetária tomadas em 2027 serão guiadas principalmente pelas expectativas para esse horizonte.

Para o BTG, a retomada dos cortes da Selic no futuro dependerá da forma como os choques inflacionários atuais serão absorvidos pela economia e do grau de confiança dos agentes econômicos na atuação do Banco Central. Caso as expectativas para 2028 permaneçam próximas de 3,8%, sem nova deterioração da credibilidade da autoridade monetária, ainda haveria espaço para um ciclo gradual de flexibilização em 2027.

O cenário traçado pelo banco considera uma política fiscal neutra ou levemente contracionista em 2027 e uma convergência da taxa de juros real neutra para patamares próximos de 5%. Nesse contexto, uma Selic mantida em 14,25% ao longo de 2026 continuaria impondo um grau significativo de restrição à atividade econômica.

Os analistas avaliam que esse ambiente permitiria ao Banco Central iniciar uma nova fase de redução dos juros em 2027, levando a Selic para um nível terminal de 12,5%. Entretanto, esse cenário depende diretamente da estabilidade das expectativas de inflação nos próximos anos.

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Credibilidade em foco

Na visão do BTG, o principal risco para esse processo é que o Banco Central continue reduzindo os juros em 2026 antes que as expectativas de inflação estejam devidamente ancoradas. O banco argumenta que um afrouxamento monetário prematuro pode levar o mercado a projetar uma inflação mais elevada no longo prazo.

Caso isso aconteça, as expectativas para 2028 poderiam se afastar ainda mais da meta perseguida pelo Banco Central, reduzindo ou até eliminando o espaço para novos cortes da Selic em 2027.

Os economistas destacam que a trajetória futura dos juros dependerá de dois fatores centrais: a persistência dos efeitos dos choques inflacionários recentes e a credibilidade da resposta do Banco Central. Quanto maior a confiança do mercado de que a autoridade monetária está comprometida com o controle da inflação, maior tende a ser o espaço para uma flexibilização sustentável dos juros no futuro.

Dessa forma, o BTG defende que uma pausa mais precoce no ciclo de cortes, acompanhada de uma comunicação mais cautelosa por parte do Banco Central, ajudaria a preservar a credibilidade da política monetária. Na avaliação da instituição, essa estratégia reduziria não apenas o tempo necessário para que a inflação retorne à meta, mas também o período de convergência da taxa de juros real para seu nível neutro.

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