Para a XP, o Agibank (AGBK) tem um potencial de valorização de 85%. Os analistas ernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti enxergam que o banco tem uma característica rara no setor financeiro, com crescimento resiliente em crédito consignado e uma ação que ainda negocia descontada frente aos pares.
A casa iniciou a cobertura dos papéis com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 13 por ação para o fim de 2026.
Negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE) por meio da holding Agi Inc., as ações eram cotadas a US$ 6,80 na tarde desta terça-feira (3), em queda de 4,76% no pregão. Sobre esse patamar, o potencial apontado pela XP supera os 90%.
A análise da XP se sustenta em três frentes:
- Modelo de negócios centrado no consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no consignado público, com o consignado privado atuando como acelerador de rentabilidade;
- Rede phygital de mais de 1.100 Smart Hubs, que reduz o custo de aquisição de clientes.
- Valuation, com a ação negociada a 5,3 vezes o preço sobre lucro (P/L) e 1,0 vez o preço sobre valor patrimonial (P/VP) projetados para 2026.
Consignado é o motor da tese
Para a XP, o consignado INSS deve seguir como principal motor do banco, com crescimento a baixos níveis de inadimplência, na casa de 2% para os atrasos acima de 90 dias (NPL 90+), e alta eficiência de capital.
O consignado público entra como produto complementar, e o consignado privado, voltado a trabalhadores com carteira assinada, aparece como a aposta de maior potencial.
Os analistas projetam que essa carteira cresça a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 102% entre 2025 e 2028, alcançando R$ 7,2 bilhões e cerca de 13% do mix de empréstimos.
A casa estima que aproximadamente 90% da carteira do banco permaneça em produtos com garantia até 2028, o que reduz o risco de crédito do balanço. Mesmo com a entrada em linhas de maior rentabilidade e maior custo de risco, como o consignado privado, a estrutura colateralizada sustentaria retornos elevados.
Apesar disso, o regulatório ainda pesa no curto prazo.
O mercado de consignado INSS enfrentou suspensões ao longo do segundo semestre de 2025, que interromperam temporariamente a entrada de novos beneficiários e pressionaram a originação e o cross-sell.
As operações foram retomadas em janeiro de 2026, mas a XP projeta recuperação gradual. Soma-se a isso o Desenrola 2.0, que reduz a margem consignável e o espaço para os cartões de maior taxa, num movimento que a casa classifica como negativo para volumes, spreads e mix de produtos, ainda que de impacto próximo de neutro no curto prazo para o Agibank.
Smart Hubs sustentam a aquisição de clientes
O diferencial operacional apontado pela XP está nos Smart Hubs, pontos físicos enxutos voltados ao credenciamento regulatório, à abertura de contas e à captação de clientes, e não às operações bancárias tradicionais. Segundo o relatório, cada hub exige investimento inicial de cerca de R$ 94 mil e atinge o ponto de equilíbrio em menos de quatro meses, com receita anual estimada em R$ 8,9 milhões por unidade.
Esse desenho permite ao banco operar com a maior receita média por cliente ativo (ARPAC) entre os pares analisados, cerca de três vezes a média dos bancos digitais, ainda que com custo de servir mais alto. A combinação resulta em um índice de eficiência ao redor de 40%. De acordo com a companhia, a abertura de conta leva menos de 15 minutos e cerca de 88% dos clientes migram para o aplicativo em até 30 dias.
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Valuation descontado e os riscos da tese
A recomendação se ancora em um modelo de desconto de dividendos (DDM), que aponta potencial de alta de cerca de 80% e adota custo de capital próprio (Ke) de 17,4% e crescimento perpétuo de 6%. A XP destaca que o papel negocia com desconto frente aos pares, refletindo o que considera uma precificação excessiva de riscos como o overhang regulatório e a possibilidade de uma oferta subsequente.
Esse último ponto é tratado como um dos principais riscos da tese. No IPO, o banco mirava originalmente uma operação maior, com 43,6 milhões de ações na faixa de US$ 15 a US$ 18, mas redimensionou o negócio para 20 milhões de papéis entre US$ 12 e US$ 13. Para a XP, isso eleva a probabilidade de um follow-on no médio prazo, com potencial efeito diluidor.
A casa também sinaliza a estrutura de classes de ações, em que o fundador Marciano Testa concentra cerca de 94% do poder de voto com participação econômica de aproximadamente 61%, o que limita a influência dos minoritários.
Entre os demais riscos, os analistas citam mudanças regulatórias no consignado INSS, a execução no consignado privado e uma eventual deterioração macroeconômica. Ainda assim, a XP enxerga assimetria positiva. No cenário pessimista, o relatório aponta potencial de alta de cerca de 10% ante o preço atual, enquanto o cenário otimista chega a 135%.






