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Dados jogam água na cerveja da Ambev

Dados jogam água na cerveja da Ambev

Produção de bebidas alcoólicas cai 3,1% em abril; BTG questiona dado e cita ScannTech, que mostra vendas de cerveja subindo 8,4%

O IBGE divulgou os dados de produção industrial de bebidas alcoólicas em abril, mostrando queda de 3,1% na comparação anual. O resultado trouxe leituras divergentes entre BTG Pactual e Banco Safra, que chegam a conclusões opostas sobre o impacto para a Ambev (ABEV3) – o BTG tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 20, e o Safra recomenda venda, com alvo de R$ 16.

No acumulado de 12 meses, a produção de bebidas alcoólicas segue negativa em 3,0%, ligeira piora frente aos -2,8% de março. No acumulado do ano, porém, o índice ainda registra alta de 2,9% a 4,0% dependendo da metodologia.

Para os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG, os dados mensais do IBGE não merecem ser lidos de forma isolada.

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“Até que os dados do IBGE voltem a oferecer uma base mais precisa do desempenho da indústria, seguimos com a visão de que o mercado está perto da maturidade, mas que 2026 deve servir como um impulso positivo — com a Copa do Mundo criando novas ocasiões de consumo”, afirmam os analistas.

BTG questiona confiabilidade dos dados e cita ScannTech como contraponto

O banco destaca que a ScannTech, outra fonte de dados do setor, mostra vendas de cerveja em valor crescendo 8,4% em abril — na direção oposta ao IBGE. Em março, a mesma fonte havia apontado queda de 10,6%.

O principal risco para a tese de Ambev seria o mercado entrar em ciclo de queda de volumes.

“O risco central seria a indústria entrar efetivamente em um ciclo de declínio de volumes — ou, como a própria empresa coloca, falhar na meta de fomentar e desenvolver a categoria”, alertam Duarte e Guttilla.

Safra vê dado como levemente negativo

Para Ricardo Boiati, Rafael Une e Thiago Marmo, do Safra, a contração de abril não surpreende.

“A queda acentuada mês a mês não nos preocupa, dado que abril é tipicamente fraco para bebidas alcoólicas — seguimos esperando performance sólida da indústria, impulsionada por bases de comparação fáceis e pela Copa do Mundo”, avaliam os analistas.

A Petrópolis segue com volumes caindo 24,4% na comparação anual, mas com preços subindo 63%, o que melhora sua margem Ebitda para 12,3% (+518 pontos-base). O movimento é visto como marginalmente positivo para a Ambev do ponto de vista competitivo.

M Dias Branco é o destaque positivo dos dados industriais

“O índice de produção de trigo e seus derivados avançou 7% em abril na comparação anual, ficando próximo ao topo da faixa histórica de cinco anos — os dados industriais são construtivos para a M Dias Branco (MDIA3)”, concluem Boiati, Une e Marmo.

O índice de bebidas não alcoólicas ficou próximo ao desempenho do ano anterior, sem grandes surpresas, enquanto o contexto macroeconômico desafiador segue como risco para o consumo das famílias à frente.