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BrasilAgro: Soja segura o trimestre e analistas veem cenário melhor

BrasilAgro: Soja segura o trimestre e analistas veem cenário melhor

Ebitda ajustado de R$ 57 milhões veio quase quatro vezes acima do que a XP projetava, puxado por derivativos e realização de ativos biológicos

As ações da BrasilAgro (AGRO3) sobem 1% nesta sexta-feira (4), mesmo depois de um resultado trimestral fraco. O que sustenta o movimento é a leitura das casas de análise sobre o que vem pela frente, e não sobre o que passou.

O Ebitda ajustado somou R$ 57 milhões no 4º trimestre do ano fiscal, número que surpreendeu a XP Investimentos, que projetava R$ 15 milhões. A receita líquida caiu 25% na comparação anual, para R$ 256 milhões, e o prejuízo líquido ficou em R$ 14 milhões.

“Os resultados foram fracos, como esperado, refletindo uma base de comparação difícil pela ausência de vendas de fazendas e pela pressão contínua das operações de cana-de-açúcar e algodão”, apontam Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, analistas da XP Investimentos.

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O que puxou o Ebitda acima do previsto foram os resultados com derivativos e a realização de ativos biológicos.

Soja e milho de um lado, cana e algodão do outro

A soja foi o destaque do trimestre, favorecida pelo carregamento de estoques e pela concentração das vendas no período, com custos unitários menores sustentando a expansão de margens. O milho também entregou rentabilidade sólida, com custos menores e produtividade forte.

“Cana-de-açúcar e algodão continuaram sendo os principais vetores negativos de rentabilidade, especialmente o algodão, que seguiu pressionado por preços mais fracos e maiores custos unitários”, observam Alencar e Paiva.

Cana de açúcar
Cana de açúcar (Imagem: Unsplash)

Na cana, os preços menores de açúcar e etanol levaram as usinas a reduzir o ritmo de moagem, o que postergou cerca de 280 mil toneladas de colheita.

O Itaú BBA classificou o resultado como neutro, sem grandes surpresas, e manteve a recomendação neutra com preço-alvo de R$ 24,00. Para o banco, os ganhos de produtividade em grãos foram compensados pelo desempenho mais fraco das demais culturas e pela ausência de vendas relevantes de fazendas.

O que muda na safra 26/27

“A falta dessas transações foi um dos principais pontos negativos da safra, mas consideramos o movimento temporário diante dos juros elevados”, avalia o Itaú BBA, que registra a sinalização da companhia de retomar as vendas de fazendas no próximo ciclo.

“A BrasilAgro entra na safra 2026/27 com exposição relevante à alta dos preços das commodities, ao mesmo tempo em que grande parte dos custos de insumos já está travada”, projetam Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, analistas da XP Investimentos.

A corretora reduziu em 7% sua estimativa de Ebitda para 2027, por conta do plantio mais conservador diante do El Niño, e aponta como principal risco uma recuperação da cana mais fraca do que a esperada.

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