A XP Investimentos manteve a recomendação de compra para a Sabesp (SBSP3), mas com preço-alvo cortado para R$ 36,80 por ação no fim de 2027 e uma mudança de tom. A tese de longo prazo segue de pé, e agora a companhia precisa comprovar na prática o que prometeu.
O gatilho foi o resultado do 2º trimestre de 2026. Desde a divulgação, a ação acumula desempenho 10 pontos percentuais abaixo do Ibovespa, queda que os analistas atribuem a mais do que o efeito econômico da frustração.
“O desempenho incorpora também um aumento na percepção de risco, que só deverá se dissipar por meio de resultados trimestrais sequenciais”, apontam Raul Cavendish, Bruno Vidal e Ana Clara Ribeiro, analistas da XP Investimentos.
O que precisa ser demonstrado é a transitoriedade de R$ 600 milhões dos R$ 800 milhões em impactos esperados para 2026, ligados a iniciativas de experiência do cliente. A corretora considera que os próximos dois ou três balanços serão os catalisadores para validar ou invalidar essa leitura.
O que mudou no modelo
As estimativas de Ebitda para 2026 e 2027 foram cortadas em 9% e 7%, respectivamente, o que deixa a corretora cerca de 5% abaixo do consenso entre 2026 e 2029. A premissa de inadimplência de longo prazo subiu de 1,3% para 1,8%, e o reajuste tarifário projetado para o próximo ano ficou em 16,3%, considerando que apenas metade dos pleitos de R$ 0,40 por metro cúbico seja contemplada.
A mudança mais relevante está no custo de capital próprio real, elevado de 8,5% para 10%. Na prática, os analistas passaram a assumir que a companhia não negociará com prêmio ante os pares brasileiros enquanto os riscos de execução não se dissiparem.
O que observar daqui para frente
A revisão tarifária deste ano concentra as incertezas. Restam R$ 1,5 bilhão em pleitos, e o mais relevante deles, ligado a reformas e cancelamentos entre 2021 e 2023, responde por cerca de metade do saldo. Do total original de R$ 2,5 bilhões, a Arsesp reconheceu aproximadamente 40% na revisão do ano passado.
“Conservadoramente, assumimos que apenas 50% dos R$ 1,5 bilhão remanescentes serão incorporados às tarifas em 2027, com o saldo sendo reconhecido em 2028”, calculam Cavendish, Vidal e Ribeiro.
No campo da alocação de capital, o leilão do UniversalizaSP e a eventual privatização da AySA, concessionária de água e esgoto de Buenos Aires, aparecem como catalisadores adicionais. A ação negocia a uma taxa interna de retorno real de 11,7% e a 1,1 vez o valor da firma sobre a base de ativos regulatória, patamares que a corretora considera atrativos.






