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BrasilAgro tem prejuízo de R$ 13,9 mi no 4º tri com fim das vendas de fazendas

BrasilAgro tem prejuízo de R$ 13,9 mi no 4º tri com fim das vendas de fazendas

Para a safra 2026/2027, a companhia projeta área 1% menor e produção 6% maior, com plano de plantio ajustado à expectativa de El Niño forte

A BrasilAgro (AGRO3) fechou o 4º trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de junho, com prejuízo líquido de R$ 13,9 milhões. No mesmo período do ano anterior, a companhia havia lucrado R$ 61,3 milhões. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (3).

A diferença não está na operação agrícola, e sim no que ficou de fora dela. No trimestre anterior comparável, a venda de fazendas rendeu R$ 112,0 milhões de receita, e desta vez não houve nenhuma. Isso explica por que a receita líquida operacional subiu 12%, para R$ 255,9 milhões, enquanto a receita líquida total recuou 25%.

Soja concentrada no trimestre

O trimestre foi da soja. A receita da cultura saltou 76%, para R$ 167,4 milhões, com 96,4 mil toneladas faturadas, volume 80% maior. O movimento reflete a estratégia de carregar estoques ao longo do exercício e concentrar a comercialização no fim do ano fiscal.

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Na direção oposta, a cana-de-açúcar recuou 60% em receita, para R$ 33,3 milhões, com queda de 57% no volume comercializado, diante do ritmo mais lento de moagem das usinas. O milho ficou praticamente estável, em R$ 29,8 milhões. O lucro bruto somou R$ 58,4 milhões, queda de 30%, e o Ebitda ajustado das operações chegou a R$ 56,6 milhões, ante resultado negativo de R$ 0,1 milhão.

Despesas e financeiro consomem o resultado

O que transformou lucro bruto em prejuízo veio abaixo da linha operacional. As despesas com vendas subiram 34%, para R$ 26,8 milhões, e as gerais e administrativas avançaram 18%, para R$ 19,7 milhões. O peso maior foi o resultado financeiro, negativo em R$ 38,4 milhões, contra um resultado positivo de R$ 12,9 milhões um ano antes.

No acumulado do ano fiscal, o prejuízo chegou a R$ 90,0 milhões, ante lucro de R$ 138,0 milhões em 2025. A receita operacional cresceu 2%, para R$ 891,7 milhões, e o Ebitda ajustado das operações avançou 11%, para R$ 97,3 milhões. O ganho com venda de fazendas caiu de R$ 180,1 milhões para R$ 2,1 milhões.

O que a companhia projeta para a safra 26/27

O plano de plantio para o próximo ciclo foi definido de forma mais seletiva, por causa da expectativa de El Niño de forte intensidade. A área estimada é de 165.208 hectares, 1% abaixo da safra 25/26.

No mix, a área de algodão de primeira safra cai 70%, o feijão safrinha sai do portfólio e a soja recua 5%. Em contrapartida, o milho de primeira safra avança 22%, o algodão safrinha sobe 36%, majoritariamente em áreas irrigadas, e a pastagem cresce 21%.

Mesmo com área menor, a produção estimada é maior: 452,9 mil toneladas, 6% acima do realizado em 25/26, puxada por soja e milho. Na pecuária, o rebanho projetado sobe 36%, para 15.554 cabeças, com produção de carne 62% maior. A companhia ressalva que as estimativas são dados hipotéticos e não constituem promessa de desempenho.