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“Short covering” e estrangeiros: Entenda a alta recente do Ibovespa

“Short covering” e estrangeiros: Entenda a alta recente do Ibovespa

Capital estrangeiro voltou à B3 com quase R$ 6 bilhões em dez dias, revertendo parte dos R$ 20 bilhões que saíram em três meses

Parte da alta recente do Ibovespa é explicada por short covering, na avaliação do Bank of America. O índice subiu 7,6% na semana em dólares, com retorno total, desempenho bem acima do S&P 500, que avançou 0,5%, e dos mercados emergentes, que recuaram 1,2%.

O termo descreve um movimento específico. Investidores que apostavam na queda de determinadas ações, vendendo papéis que não possuíam para recomprá-los mais barato depois, foram obrigados a fechar essas posições diante da alta. A recompra em si pressiona os preços para cima, o que cria um efeito de retroalimentação.

“Desde o fundo de 18 de agosto, o Ibovespa entregou 14% em retorno total em dólares. Tanto o grupo das posições vendidas mais concentradas quanto o das vendidas de consenso renderam 19%”, apontam os analistas do Bank of America, em relatório liderado por David Beker.

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Ações com mais de 10 dias para cobertura

Ações com mais de 10 dias para cobertura (*days to cover*) e com posição vendida (*short interest*) como percentual do *float* acima da mediana do Ibovespa. O indicador “dias para cobertura” representa quanto tempo os vendedores a descoberto levariam para encerrar suas posições caso os preços subissem em resposta a notícias positivas sobre a empresa.        

Não foi só recompra

O banco pondera que o posicionamento construtivo também teve papel no movimento. As chamadas posições compradas de consenso renderam 14% no mesmo período, o que indica que a alta não se explica apenas pelo fechamento de apostas na queda.

As carteiras temáticas do banco confirmam a amplitude. A seleção com viés de crescimento subiu 7,6% na semana, enquanto a de viés de valor avançou 6,3%.

Estrangeiro volta, local continua saindo

“Vimos quase R$ 6 bilhões de entrada em dez dias, revertendo parcialmente os R$ 20 bilhões de saída dos últimos três meses”, observam os analistas do Bank of America. No fluxo global, os emergentes excluindo a China registraram entrada de US$ 1,5 bilhão na semana, com saques de Taiwan depois de vários meses de captação forte.

O movimento do investidor local segue na direção oposta. Os fundos de ações brasileiros tiveram saída de R$ 0,5 bilhão na semana passada, ritmo acima da média semanal de R$ 0,1 bilhão registrada no 2º trimestre.

Eleições
(Imagem: Copilot)

Eleição no radar

“Gostamos da opcionalidade rumo às eleições de outubro. A incerteza segue alta, e os preços atuais de mercado e de opções oferecem uma forma atrativa de capturar o cenário positivo com risco predefinido”, projetam os analistas do Bank of America, em relatório liderado por David Beker.

Na leitura do banco, o nível atual do índice embute probabilidade baixa para o cenário otimista, enquanto as condições técnicas melhoraram na margem, com a saída estrangeira estancada nas duas últimas semanas.