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Vale: Governo Lula impediu IPO da VBM, diz jornal canadense

Vale: Governo Lula impediu IPO da VBM, diz jornal canadense

A operação chegou a ter sindicato de bancos em formação e reuniões com potenciais investidores, segundo fontes ouvidas pelo The Globe and Mail

A Vale (VALE3) engavetou o plano de abrir o capital da Vale Base Metals (VBM), sua subsidiária de minerais críticos, e a resistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pesou na decisão. A informação é de reportagem do jornal canadense The Globe and Mail publicada nesta sexta-feira (4), com base em três fontes não identificadas.

Segundo duas dessas fontes, Lula queria que a mineradora mantivesse o controle da unidade, cujo portfólio inclui grandes minas de cobre em território brasileiro. As operações incluem a Onça Puma (níquel), em Ourilândia do Norte (PA), Salobo (cobre), em Marabá (PA), e Sossego (cobre), localizada em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará.

A avaliação em Brasília seria de que a listagem enfraqueceria a posição do país como potência global em recursos naturais, já que implicaria perda de controle sobre esses ativos.

Operação Sossego da Vale VBM, em Canaã dos Carajás (PA), com foco na exploração de de concentrado de cobre
Operação Sossego da Vale VBM, em Canaã dos Carajás (PA), com foco na exploração de de concentrado de cobre (Imagem: Divulgação/ Vale VBM)

Nem a Vale nem a Vale Base Metals comentaram diretamente a suspensão. Em nota enviada por e-mail, a subsidiária afirmou que a prioridade é acelerar o crescimento orgânico em cobre e melhorar a eficiência operacional em níquel, sem mencionar o IPO.

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“Estamos em estágio avançado de nossa transformação e construindo um histórico consistente de entregas. Em última análise, nossa prioridade é acelerar o crescimento orgânico em cobre e aumentar a eficiência operacional em níquel”, afirmou a empresa.

O Ministério de Minas e Energia e a Presidência foram procurados pelo jornal e não responderam.

Vale Base Metals VBM
(Imagem: Divulgação/ Vale Base Metals)

O que é a Vale Base Metals

Sediada em Londres e com centro global de operações em Toronto, a companhia foi separada internamente da controladora em 2023, justamente para preparar a abertura de capital. Tem equipe própria de gestão e de relações com investidores.

O portfólio reúne as operações de cobre, níquel e cobalto da Vale, distribuídas por Canadá, Brasil, Japão, Reino Unido e Indonésia. Os ativos canadenses de níquel foram comprados da Inco em 2006, por US$ 19,4 bilhões. Hoje a Vale detém 90% da subsidiária, e os 10% restantes pertencem à saudita Manara Minerals, que pagou cerca de US$ 2,5 bilhões pela fatia em 2024.

Uma janela de preço que se fecha

O momento agrava a perda. O cobre era negociado a US$ 6,57 a libra-peso na quinta-feira, patamar próximo do recorde histórico, o que daria à operação uma avaliação elevada. Em março, o diretor financeiro Marcelo Bacci havia dito a jornalistas que a companhia não tinha pressa, mas que a transação poderia sair ainda neste ano.

A suspensão também deixa em aberto o futuro da equipe de gestão, parte dela recrutada especificamente para preparar a listagem. O sul-africano Shaun Usmar, veterano da Xstrata e ex-presidente da Triple Flag Precious Metals, assumiu o comando da subsidiária em 2024. As três fontes afirmaram que o IPO está suspenso por tempo indeterminado, mas pode ser retomado mais adiante.

Redução de Ebitda

Em junho, a Vale reduziu a sua projeção (guidance) para a participação da (VBM) em seu Ebitda consolidado.

A estimativa ficou em 28%. A anterior, divulgada no final de março, estava em um intervalo entre 30% e 35%.

Segundo a empresa, a nova projeção considera, como premissas principais, os preços médios de cobre, níquel e ouro em 2026, com base na média das estimativas de analistas sell-side disponíveis em maio de 2026.

Amostras de diferentes óxidos de terras raras dispostas sobre uma superfície.
Amostras de diferentes óxidos de terras raras dispostas sobre uma superfície (Peggy Greb / USDA-ARS)

Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos

O Brasil criou, nesta semana, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, uma nova etapa burocrática para determinadas operações no setor. 

Para o BTG Pactual (BPAC11), o poder concedido ao governo para homologar operações societárias pode atrasar investimentos estrangeiros justamente quando o Brasil precisa atrair capital e tecnologia.

O PL 2.780/2024 foi aprovado pelo Senado nesta quarta-feira (2) e segue para sanção presidencial. Como os senadores fizeram apenas alterações de redação, o texto não precisará retornar à Câmara dos Deputados.

Embora o debate seja frequentemente associado às terras raras, a proposta abrange um conjunto mais amplo de minerais considerados essenciais para a transição energética, a segurança alimentar, a indústria de tecnologia e a defesa nacional.

Em relatório assinado por Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, o BTG considera os incentivos positivos, mas demonstra preocupação com o aumento da interferência governamental sobre fusões, aquisições e investimentos estrangeiros no setor.

“Dar a um conselho controlado pelo governo o poder de aprovar mudanças de controle acrescenta uma camada adicional de incerteza regulatória, justamente quando o Brasil precisa de capital estrangeiro e conhecimento técnico”, afirmam os analistas do BTG.

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