A decisão da B3 ($B3SA3) de incluir BDRs de companhias brasileiras no universo elegível do Ibovespa a partir do primeiro semestre de 2027 pode provocar mudanças relevantes na composição do principal índice da bolsa brasileira.
Em relatório divulgado após o anúncio da bolsa, a XP Investimentos simulou como ficaria a carteira do Ibovespa caso as novas regras já estivessem em vigor utilizando dados de mercado até 10 de setembro de 2026.
Segundo os cálculos da instituição, quatro BDRs passariam a integrar o índice: Nubank (ROXO34), JBS (JBSS32), XP Inc. (XPBR31) e Inter (INBR32). A corretora ressalta que a metodologia definitiva ainda não foi publicada pela B3, mas trabalha com a hipótese de que os critérios atuais de elegibilidade serão mantidos para os recibos de ações, incluindo um limite de 10% para o peso agregado desses papéis no índice.
Quatro BDRs ganhariam espaço no índice
Na simulação elaborada pela XP, o BDR do Nubank seria o principal beneficiado, com peso estimado de 1,52% no Ibovespa. Em seguida apareceriam JBS, com 1,12%, XP Inc., com 1,00%, e Inter, com 0,31%. A inclusão dos ativos também teria potencial para gerar fluxo expressivo de recursos vindos de ETFs e fundos passivos que replicam o índice.
“Caso a metodologia fosse aplicada hoje, estimamos que Nubank, JBS, XP Inc. e Inter atenderiam aos critérios para ingressar no Ibovespa, refletindo a crescente relevância dessas companhias para o mercado de capitais brasileiro”, afirmam os analistas Fernando Ferreira, Antonio Mello, Raphael Figueredo e Caio Souza.
A XP calcula que a entrada dos quatro BDRs poderia gerar compras superiores a R$ 1,1 bilhão por investidores passivos. Apenas ROXO34 teria fluxo potencial estimado em R$ 443 milhões, enquanto JBSS32 e XPBR31 poderiam receber cerca de R$ 327 milhões e R$ 292 milhões, respectivamente. No caso de INBR32, a projeção é de aproximadamente R$ 92 milhões.
Critério de negociabilidade segue como principal dúvida
Por outro lado, a análise indica que algumas ações atualmente presentes no índice perderiam espaço. Auren (AURE3), Bradespar (BRAP4) e Yduqs (YDUQ3) seriam excluídas da carteira teórica devido ao baixo índice de negociabilidade, critério que mede a liquidez e a frequência de negociação dos ativos na bolsa.
“Um dos principais pontos de incerteza está relacionado ao cálculo do índice de negociabilidade. Como a metodologia completa ainda não foi divulgada, foi necessário assumir que o tratamento aplicado atualmente às ações também será mantido para os BDRs”, destacam os analistas.
Os estrategistas observam que três dos quatro BDRs incluídos na simulação tiveram seus pesos limitados pela regra que restringe a participação de ativos a duas vezes seu índice de negociabilidade. A exceção foi o Inter. Caso a atividade de negociação dos papéis subjacentes no exterior passasse a ser considerada no cálculo, essas empresas poderiam ter uma participação ainda maior no Ibovespa.
“Se a B3 optar por incorporar o volume negociado dos ativos subjacentes no exterior ao cálculo do índice de negociabilidade, os BDRs poderiam receber pesos mais elevados e até alterar a composição final do Ibovespa em relação à nossa simulação”, concluem os analistas.
A expectativa do mercado agora se concentra na divulgação da metodologia definitiva pela B3. Para a XP, a inclusão de BDRs de empresas brasileiras representa uma evolução natural do índice, ampliando sua capacidade de representar companhias relevantes para os investidores locais, ainda que parte de suas ações seja negociada fora do país.
Leia também:






