A Axia Energia (AXIA3) apresentou um desempenho operacional considerado sólido no 2T26, reforçando a transição da companhia para uma nova etapa de crescimento, segundo análise da Genial Investimentos. Embora os números tenham ficado ligeiramente abaixo da estimativa da casa, o resultado veio praticamente em linha com o consenso do mercado e sustentou a recomendação de compra para AXIA3.
Para a Genial, a empresa passa a deixar para trás o ciclo de reestruturação e entra em uma fase marcada pela expansão da transmissão, maior monetização da geração e foco na alocação eficiente de capital.
O destaque do trimestre foi o EBITDA regulatório ajustado de R$ 6,7 bilhões, alta de 21,5% na comparação anual, impulsionado principalmente pela melhora da geração de energia, maior contribuição das participações societárias e redução das provisões. A corretora também avalia que os múltiplos atuais da companhia ainda não refletem a evolução operacional e financeira observada nos últimos anos.
Geração e transmissão sustentam crescimento operacional
Na avaliação da Genial, o desempenho da geração continua sendo um dos principais pilares da tese de investimento da Axia Energia. Mesmo com menor volume de energia comercializada no 2T26, a companhia conseguiu ampliar suas margens graças à combinação de preços mais elevados no Ambiente de Contratação Livre (ACL), melhora do GSF e maior disponibilidade de energia para comercialização.
A receita operacional líquida regulatória alcançou R$ 10 bilhões no trimestre, avanço de 3,1% sobre o mesmo período do ano anterior. Apesar da alta moderada, a composição da receita apresentou melhora significativa. Segundo a análise, a comparação anual ainda carrega o efeito da venda das usinas térmicas ocorrida anteriormente. Desconsiderando esse impacto, a receita da geração cresceu de forma relevante.
Na transmissão, o trimestre foi marcado por estabilidade operacional, mas a expectativa para os próximos anos é bastante positiva. O reajuste tarifário do ciclo 2026/27 elevou a Receita Anual Permitida (RAP) somada à Parcela de Ajuste (PA) em 8,7%, para R$ 17,5 bilhões. Além disso, os projetos atualmente em implantação poderão acrescentar aproximadamente R$ 2 bilhões em RAP entre 2026 e 2030, fortalecendo uma fonte de crescimento regulado e previsível.
EBITDA cresce e confirma mudança de perfil da companhia
O EBITDA regulatório ajustado da Axia Energia atingiu R$ 6,7 bilhões no 2T26, resultado que representa crescimento de 21,5% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, houve retração de 22,3%, movimento considerado esperado pela Genial devido ao cenário excepcionalmente favorável observado no início do ano.
Outro ponto destacado pela corretora foi a evolução operacional mesmo após a saída das térmicas do portfólio. Excluindo esses ativos, o EBITDA passou de R$ 5,3 bilhões no 2T25 para R$ 6,7 bilhões neste trimestre, demonstrando que a melhora dos resultados decorre da qualidade dos ativos remanescentes e da estratégia adotada pela companhia.
A redução das provisões operacionais também contribuiu para o desempenho. No período, elas somaram apenas R$ 35 milhões, bem abaixo dos R$ 98 milhões registrados um ano antes, reforçando a melhora da eficiência operacional.
Estrutura financeira evolui, apesar da pressão dos juros
Embora o resultado financeiro continue pressionado pelo elevado custo da dívida, a Genial avalia que a estrutura de capital da Axia Energia segue apresentando evolução consistente. O resultado financeiro ajustado foi negativo em R$ 3,4 bilhões, refletindo principalmente os encargos da dívida e os efeitos das operações de hedge.
Apesar desse impacto, a dívida líquida caiu para R$ 45,5 bilhões, enquanto a alavancagem recuou para 1,7 vez a relação entre dívida líquida e EBITDA regulatório ajustado. Outro indicador considerado positivo foi a melhora do custo médio da dívida, que passou de CDI +0,58% para CDI -0,02% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A companhia também fortaleceu sua posição de liquidez com novas emissões de debêntures realizadas em julho, totalizando R$ 3,5 bilhões, com vencimentos de longo prazo.
Expansão da transmissão e alocação de capital ganham protagonismo
Para a Genial, a principal mudança observada após o 2T26 está na evolução da tese de investimento da Axia Energia. Se os últimos anos foram dedicados à redução de custos, simplificação societária, venda de ativos e diminuição de passivos jurídicos, o foco agora passa a ser o crescimento e a geração de valor para os acionistas.
Os investimentos somaram R$ 3,1 bilhões no trimestre, avanço de 52,6% na comparação anual, impulsionados principalmente pelos projetos de transmissão. A companhia possui atualmente centenas de empreendimentos em desenvolvimento, além dos novos lotes conquistados no Leilão de Transmissão de 2026, ampliando sua perspectiva de receitas futuras.
Outro vetor relevante continua sendo o processo de descotização das usinas hidrelétricas, que amplia gradualmente a parcela da energia comercializada a preços de mercado. Paralelamente, a redução contínua do passivo relacionado ao empréstimo compulsório diminui um dos principais fatores históricos de desconto da companhia.
Segundo a Genial, a aprovação de até R$ 7,7 bilhões em capital alocável no primeiro semestre representa um divisor de águas para a empresa. Com uma alavancagem mais confortável, forte geração de caixa e amplo pipeline de investimentos, a discussão passa a se concentrar na melhor destinação desse capital, seja por meio de dividendos extraordinários, recompra de ações, novas aquisições ou expansão orgânica.






