A Even (EVEN3) encerrou o 1TRI26 com lucro líquido de R$ 33 milhões, queda de 39% na comparação anual, segundo análise do BTG Pactual. O resultado veio abaixo da projeção do banco, pressionado por uma linha de equivalência patrimonial mais fraca e impostos acima do esperado.
A rentabilidade também ficou moderada. O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado, medido pelo ROE, foi de 7%, nível considerado fraco pelo BTG.
Na avaliação dos analistas, o trimestre teve desempenho aquém do ideal, ainda que parte da desaceleração já fosse esperada.
Receita recua, mas margem bruta melhora
A receita líquida da Even somou R$ 330 milhões no 1TRI26, retração de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior e também 2% abaixo das estimativas do BTG. Apesar disso, a companhia apresentou melhora relevante na rentabilidade operacional dos projetos.
O lucro bruto ajustado chegou a R$ 118 milhões, alta de 18% na comparação anual. A margem bruta ficou em 35,6%, avanço de 6,15 pontos percentuais em um ano e acima do esperado pelo banco. Esse desempenho ajudou a amenizar parte da leitura negativa sobre o lucro líquido.
Queima de caixa e endividamento chamam atenção
Outro ponto destacado pelo BTG foi a queima de caixa de R$ 49 milhões no 1TRI26, praticamente em linha com a projeção de R$ 50 milhões. O consumo de caixa refletiu, principalmente, a recomposição do banco de terrenos, com a aquisição de cinco áreas no trimestre, além de menores repasses de recebíveis aos bancos.
A Even terminou o período com dívida líquida de R$ 595 milhões, equivalente a 26% do patrimônio líquido. A empresa também anunciou a distribuição de R$ 30 milhões em dividendos, o que representa rendimento próximo de 3%, com pagamento previsto para 12 de junho.
BTG mantém visão neutra para a Even
Apesar da melhora nas margens e da estratégia da Even de focar projetos de alto padrão e luxo, o BTG manteve recomendação neutra para a ação. O banco afirmou seguir cauteloso com o segmento de média e alta renda, diante de um cenário macroeconômico mais difícil.
Na avaliação do BTG, esse ambiente já começa a afetar a velocidade de vendas. Ainda assim, os analistas reconhecem que a ação negocia a uma avaliação considerada atrativa, com múltiplo estimado de 4,5 vezes o lucro projetado para 2026. O preço-alvo em 12 meses foi mantido em R$ 9,50, frente ao preço de R$ 5,60 indicado no relatório.






