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Real está barato, aponta Bank of America

Real está barato, aponta Bank of America

Moeda brasileira acumula alta de 13% em 12 meses, mas ainda opera 7% abaixo da média histórica em termos reais ponderados

O Bank of America está posicionado contra o euro e a favor do real brasileiro, recomendando venda de euro contra o real (EUR/BRL) – atualmente negociado a R$ 5,82 – em relatório distribuído a clientes institucionais nesta sexta-feira (15).

O banco americano avalia que o real segue subvalorizado apesar da valorização recente e que três vetores estruturais continuam sustentando a moeda: alta das commodities, juros reais elevados e a possibilidade de uma eleição presidencial favorável ao mercado em 2026.

Segundo o relatório, “o real é um claro beneficiário do choque de commodities — preços mais altos do petróleo e de produtos agrícolas melhoraram significativamente os termos de troca do Brasil, entre os maiores ganhos nos mercados emergentes, e isso já está se refletindo nas exportações.”

Real subvalorizado e carry entre os mais altos

O argumento central do BofA repousa sobre dois pilares: valuation e carry. Mesmo após se valorizar 13% nos últimos doze meses frente ao dólar, o real ainda opera cerca de 7% abaixo de sua média histórica de longo prazo quando medido em termos reais ponderados pelo comércio. Para o banco, a moeda segue barata.

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Ao mesmo tempo, a postura cautelosa do Banco Central do Brasil empurrou os juros nominais acima da inflação, elevando o carregamento real.

“O Brasil agora possui uma das maiores – e de mais rápido crescimento – taxas de juros reais a termo entre os mercados emergentes”, destaca o relatório.

No front externo, as exportações brasileiras em dólares correm entre 10% e 20% acima do ano anterior, e o BofA projeta melhora de aproximadamente US$ 11 bilhões na balança de pagamentos ao longo de 2026. Os riscos para a tese incluem uma surpresa dovish do Banco Central ou um estímulo fiscal que piore o panorama eleitoral.

Banco Central Selic
(Imagem: Raphael Ribeiro/BCB)

Títulos externos

Na renda fixa, o banco americano também tem viés positivo. O BofA está com recomendação de alocação acima da média nos títulos de dívida externa do Brasil, que atualmente negociam com um leve prêmio de 0,2 notch acima da média histórica para o rating BB+.

“Estamos com sobreponderação nos títulos externos do Brasil”, afirma o relatório, que lista como gatilhos positivos o surgimento de candidatos moderados para a corrida presidencial de 2026, superávit fiscal acima das expectativas, crescimento econômico robusto e aprovação de medidas de ajuste nas contas públicas.

No lado dos riscos, o banco enumera possíveis vetores de deterioração: candidatos menos moderados na eleição, escalada de tensões geopolíticas com os EUA, continuidade de alta na relação dívida/PIB e pressão por gastos contracíclicos.

“O Brasil poderia ter desempenho inferior se candidatos menos moderados emergirem para a corrida presidencial de 2026, se as tensões geopolíticas com os EUA escalarem ou se a relação dívida continuar subindo”, alerta o relatório.

A combinação de juros reais médios elevados no longo prazo também representa um risco, uma vez que pressiona a despesa com juros e pode comprometer a trajetória fiscal que sustenta o otimismo do banco com os ativos brasileiros.

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