O Bank of America passou a projetar cortes de 0,25 ponto percentual na Selic em todas as reuniões do Copom até dezembro de 2027. A mudança de cenário levou o banco a recomendar exposição às companhias mais sensíveis a juros, as chamadas bond proxies.
“Dados de atividade mais fracos, leituras de inflação relativamente benignas e a desaceleração do crédito sustentam nossa visão”, apontam os analistas do Bank of America.
O termo bond proxy descreve empresas com fluxo de caixa previsível, cujas receitas e custos acompanham a inflação, o que as faz funcionar como substitutas de títulos de renda fixa.
O banco inclui nessa definição as companhias de geração, transmissão e distribuição de energia, saneamento, rodovias, ferrovias, shopping centers e telecomunicações que estão sob sua cobertura.
Elétricas: Equatorial na ponta agressiva
“Vemos a Equatorial (EQTL3) como nossa elétrica preferida para um cenário de apetite ao risco, combinando duração de fluxo de caixa de cerca de 12 anos, taxa interna de retorno real de aproximadamente 12% e opcionalidade vinda de fusões e aquisições em distribuição e de melhorias regulatórias”, dizem os analistas.
É também a companhia do setor com maior sensibilidade aos juros de curto prazo.
A Axia Energia (AXIA3) aparece como nome que funciona nos dois cenários, com o maior beta da cobertura, duração mais curta, de cerca de oito anos, e o maior dividend yield, entre 11% e 15% em 2026 e 2027.
Para quem está mais cauteloso, a Isa Energia (ISAE4) é a escolha defensiva, com retorno real perto de 10% e potencial adicional acima de 15% caso a questão do passivo previdenciário seja resolvida, o que deve ocorrer em 2027.
Rodovias na frente da ferrovia
No setor de transportes, a preferência recai sobre as concessionárias de rodovia. A Motiva (MOTV3) é vista como nome defensivo com valuation atrativo, a cerca de 11% de retorno real, com catalisadores possíveis vindos de aditivos contratuais e das discussões de reequilíbrio nos próximos meses.
“A Ecorodovias (ECOR3) oferece o valuation mais atrativo entre as bond proxies, com retorno real de cerca de 17%, e pode ter desempenho superior se os cortes de juros forem maiores ou mais rápidos do que o esperado”, observam os analistas do Bank of America.
A Rumo (RAIL3) fica atrás, com retorno real de 9,7% dependente de uma recuperação do ciclo de grãos cujo momento ainda é incerto.
Shoppings e telecomunicações ficam de fora
Nos shoppings, os retornos são pouco atrativos na comparação com as demais bond proxies, ainda que o setor entregue previsibilidade maior de resultados.
A Allos (ALOS3) se destaca como a melhor relação entre risco e retorno, negociando a 9 vezes o fluxo de caixa operacional projetado para 2027, com dividend yield de 13%.
“Mantemos a postura cautelosa com Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) apesar da correção recente, já que os valuations ainda parecem exigentes, com retornos implícitos de 9,2% e 8,9%”, projetam os analistas do Bank of America.
O banco pondera que patamares próximos de 4 vezes o valor da firma sobre o Ebitda podem funcionar como piso para o investidor estrangeiro, que costuma comparar com as operadoras globais.
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