A Ambev (ABEV3) deve divulgar um desempenho fraco no quarto trimestre de 2025 (4TRI25), em linha com o consenso de mercado, refletindo principalmente a pressão sobre volumes no Brasil e a inflação de custos acima do repasse via preços, de acordo com relatório do banco Santander (SANB11). A avaliação reforça um cenário operacional ainda desafiador para a companhia no curto prazo.
Mesmo com a melhora das condições climáticas ao longo do trimestre, os dados de sell-out indicam retração próxima de 5% nas vendas de bebidas no mercado brasileiro. Dentro do portfólio, os refrigerantes apresentaram desempenho relativamente melhor do que a cerveja, mas sem força suficiente para reverter a tendência negativa do consumo. A projeção é de queda de 4% nos volumes no Brasil no trimestre, acompanhada apenas de uma melhora marginal nos preços médios.
De acordo com o banco, a inflação de custos segue como o principal fator negativo. A expectativa é de alta de 12,4% nos custos no Brasil na comparação anual do 4TRI25, o que levaria a um crescimento de 5,7% no acumulado de 2025, em linha com o limite inferior do guidance divulgado pela companhia. Esse movimento limita a expansão de margens e deve continuar pressionando os resultados no início de 2026.
Ambev terá cenário adverso, apesar de calendário favorável em 2026
Olhando à frente, o cenário segue adverso para a fabricante de bebidas. Apesar de um calendário esportivo potencialmente favorável para o ano, a combinação de custos elevados, aumento de capacidade por parte de concorrentes e ausência de sinais claros de recuperação da demanda sustenta uma visão cautelosa para o primeiro semestre.
“Apesar do calendário esportivo de 2026, continuamos a ver um ambiente operacional desafiador, com concorrentes adicionando capacidade e a inflação de custos como um fator negativo relevante no primeiro semestre do ano, em função do efeito de carregamento dos hedges contratados em 2025”, diz trecho do relatório.
Nas demais operações, os analistas enxergam poucos catalisadores relevantes. No Canadá, os resultados do trimestre devem sofrer com comparações difíceis, após o aumento de estoques observado no último trimestre de 2024. Já as operações da CAC foram impactadas por eventos climáticos adversos, limitando o desempenho no período. Na Argentina, é esperada a contabilização de um pequeno ganho relacionado à hiperinflação, embora as condições estruturais do mercado continuem fracas.
No segmento de refrigerantes, a expectativa é de desaceleração na queda dos volumes, mas ainda com desempenho inferior ao de pares do setor. Diante desse conjunto de fatores, a recomendação para as ações da Ambev foi mantida em “Manutenção”, refletindo um balanço entre fundamentos pressionados no curto prazo e a ausência de gatilhos claros de valorização no horizonte imediato.
Além do Santander, outra casa de análise que divulgou uma visão mais pessimista com a fabricante de cerveja e refrigerantes, foi a Ágora. A casa de análise projetou receita líquida de R$ 24,6 bilhões (queda de 9% em base anual), volume -3% no período, EBITDA de R$ 8,5 bilhões (também com redução de 9%) com margem de 34,4% (estável) e lucro líquido de R$ 4,3 bilhões – queda de 9%, também em base anual).
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