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Ação da Vale está precificada “quase à perfeição”

Ação da Vale está precificada “quase à perfeição”

Após forte valorização em 2025, o Banco Safra avalia que a ação da Vale já reflete seus fundamentos, mesmo com mercado ainda majoritariamente otimista

A ação da Vale (VALE3) inicia 2026 em um ponto de maior equilíbrio entre preço e fundamentos. Após uma valorização expressiva ao longo de 2025, o Banco Safra avalia que o papel passou a incorporar quase todo o potencial positivo no curto e médio prazo, o que levou o banco a rebaixar sua recomendação para neutra, mesmo com a elevação do preço-alvo.

Segundo o Safra, desde fevereiro do ano passado — quando a mineradora era recomendada como overweight — os papéis da Vale acumularam alta próxima de 52%, desempenho que superou tanto seus pares globais quanto a própria dinâmica dos preços das commodities metálicas. Para o banco, esse movimento reduziu a assimetria positiva do papel.

“Após um rali relevante em 2025, a Vale se aproxima de um nível de preço que reflete bem seus fundamentos atuais, o que limita o potencial de valorização adicional no curto prazo”, diz o Safra, ao justificar o rebaixamento da recomendação para neutra.

Valuation segue atrativo, mas com colchão menor

Na avaliação do Safra, a Vale ainda negocia a múltiplos baixos em termos absolutos, com EV/EBITDA estimado em cerca de 4,0 vezes para 2026 e rendimento médio de fluxo de caixa livre ao redor de 10% até 2028. Esses números, segundo o banco, continuam sólidos e acima dos observados em pares australianos do setor.

O ponto central, no entanto, é que a diferença de valuation que existia no início da tese diminuiu após a forte valorização das ações. Com isso, o chamado “colchão de segurança” ficou mais estreito, o que aumenta o risco de underperformance caso os preços das commodities passem por um ajuste.

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China mantém minério de ferro sob pressão

O Safra também adota uma postura mais cautelosa em relação ao minério de ferro, principal produto da Vale. O banco entende que o recente rali da commodity carece de sustentação estrutural e projeta uma queda dos preços para cerca de US$ 94 por tonelada até o fim de 2026, mesmo admitindo a possibilidade de ganhos pontuais antes de um movimento de correção.

Essa leitura é reforçada por dados recentes do Bradesco BBI sobre o mercado siderúrgico chinês. Segundo o banco, novos requisitos de licenciamento de exportação de aço na China têm causado atrasos logísticos, congestionamento nos portos e desaceleração no recebimento de pedidos, criando gargalos operacionais no curto prazo.

“Embora esses entraves possam reduzir temporariamente as exportações de aço da China — o que é positivo para produtores brasileiros —, esperamos uma normalização gradual, dada a importância estratégica das exportações, que representam cerca de 10% da produção chinesa”, afirma o Bradesco BBI.

Além disso, o BBI aponta que os estoques de aço acabado na China voltaram a subir após 12 semanas consecutivas de queda, o que pode refletir tanto o aumento da produção quanto um reabastecimento antes do feriado do Ano Novo Chinês.

No caso do minério de ferro, os estoques nas siderúrgicas recuaram em base semanal, mas ainda permanecem abaixo da média histórica, sugerindo um ambiente sem sinais claros de retomada estrutural da demanda.

Metais de transição equilibram a tese

Apesar do ceticismo com o minério de ferro, o Safra vê um contraponto relevante nos metais ligados à transição energética. O banco revisou para cima suas estimativas de EBITDA para cobre e níquel, impulsionadas por preços mais elevados e uma queda expressiva nos custos de equilíbrio operacional.

Na leitura do banco, essa diversificação ajuda a sustentar os resultados da Vale, mas não é suficiente, neste momento, para justificar uma reprecificação mais agressiva da ação, especialmente em um cenário de menor contribuição do minério.

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Mercado ainda otimista, mas upside é mais curto

Mesmo com a postura mais cautelosa do Safra, o consenso de mercado segue majoritariamente positivo com a Vale. A maior parte das casas mantém recomendação de compra para a ação, com preço-alvo médio acima da cotação atual, indicando expectativa de valorização adicional nos próximos 12 meses.

A diferença, segundo o Safra, está na magnitude desse potencial. Com o papel negociando próximo ao valor justo, o banco estima um retorno total em torno de 16%, compatível com uma recomendação neutra e distante dos níveis de assimetria observados no início da tese.

No fim das contas, a leitura é menos sobre um alerta negativo e mais sobre maturidade da precificação: a ação da Vale não está cara, mas, na visão do Safra, está hoje precificada quase à perfeição.