As ações da Evergrande tiveram sua negociação suspensa no pregão desta quinta-feira (28) em Hong Kong. Elas eram negociadas sob o código 3333.
A suspensão à empresa chinesa não é a primeira: em março do ano passado, ocorreu o mesmo, sendo que as negociações só foram retomadas em 28 de agosto, após 17 meses.
Isso acontece em meio ao noticiário de que o presidente da incorporadora imobiliária chinesa está sob vigilância policial, de acordo com a Bloomberg News.
Hui Ka Yan, que além de CEO também é o acionista controlador da Evergrande, teria sido levado pela polícia chinesa no início deste mês e está sendo monitorado pelas autoridades, apesar de não ter sido acusado formalmente de nenhum crime, conforme afirmam fontes.
Na China, a polícia tem poder para colocar pessoas suspeitas de crimes sob a chamada vigilância residencial e podem ser mantidas assim por semanas ou meses antes de serem formalmente acusadas.
Segundo a Reuters, uma subsidiária da Evergrande está sendo investigada pelo regulador de valores mobiliários chinês por suspeita de violação de divulgação de informações.
Evergrande tem prejuízo
Hui Ka Yan, de 64 anos, fundou a Evergrande em 1996, na província de Guangdong. Sob seu comando, a empresa se tornou a maior incorporadora imobiliária do país. Em 2021, a Evergrande deixou de honrar com suas dívidas, estimadas em US$ 300 bilhões.
Na quarta (27), a Evergrande relatou um prejuízo atribuível aos acionistas de 33 bilhões de yuans (US$ 4,15 bilhões) nos seis meses encerrados em junho. O prejuízo operacional foi de 11,72 bilhões de yuans, abaixo dos 39,36 bilhões no primeiro semestre de 2022.
Em julho, a empresa divulgou prejuízo líquido combinado de US$ 81 bilhões entre 2021 e 2022. Isto ante lucro líquido de 8,1 bilhões de yuans em 2020, antes de a empresa entrar em inadimplência.
Ainda este mês, a Evergrande adiou uma reunião de reestruturação da dívida com credores, alegando que “as vendas do Grupo não foram as esperadas pela empresa”.
A empresa também foi proibida de emitir novos títulos de dívida devido a uma investigação sobre sua subsidiária Hengda Real Estate.
Histórico das ações da Evergrande

Pedido de proteção contra falência
Em agosto, a Evergrande solicitou a proteção contra falência, acionando o chamado Capítulo 15, num tribunal dos EUA, que permite a um tribunal de falências dos EUA intervir em casos de insolvência transfronteiriços envolvendo empresas estrangeiras que estão em processo de reestruturação de credores. A medida visava proteger os ativos da empresa durante a renegociação de dívidas.
Outras subsidiárias, Tianji Holdings e Scenery Journey, também entraram com pedido de proteção do Capítulo 15 no tribunal de falências de Manhattan.
Falência poderia ser a segunda maior dentre países de mercados emergentes
Levantamento da Yubb Investimentos mostra que, dentre os países de mercados emergentes, a possível falência da Evergrande configuraria o segundo maior caso já registrado, atrás apenas da PDVSA, da Venezuela.
O levantamento considera pedidos de recuperação judicial e de falência, de fato, e exclui dados dos Estados Unidos, onde ocorreu o caso Lehman Brothers, que configura o maior caso de falência do mundo.
O Brasil aparece em duas posições. A Americanas (AMER3) ocupa a terceira posição. E a Oi (OIBR4), a quarta.
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