A XP Investimentos atualizou seu modelo para o Banco Mercantil (BMEB3) e mantém visão positiva sobre as ações da instituição, enxergando um potencial de valorização de cerca de 60% frente ao preço-alvo de R$ 112 por ação para o fim de 2026.
Os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti sustentam a recomendação de compra com base em três pilares: rentabilidade elevada e previsível, baixa volatilidade de resultados e criação de valor além do crédito. Segundo eles, as ações estão com um “desconto claro frente ao seu perfil de rentabilidade”.
“Vemos o banco combinando de forma consistente alta rentabilidade com baixa volatilidade de resultados, sustentado por uma franquia altamente especializada e difícil de replicar, focada em consignado atrelado ao INSS e na base de clientes 50+”, afirmam os analistas.
O modelo de negócios do Mercantil, centrado em produtos com garantia e funding estruturalmente barato, é apontado como um diferencial competitivo robusto no cenário atual de juros elevados.
Resultados
Para o primeiro trimestre de 2026, a XP projeta resultado sólido, com expansão da carteira de crédito liderada pelo consignado do INSS. O consignado privado deve seguir crescendo, embora em ritmo mais moderado, enquanto a exposição ao FGTS continuará em queda.
“Fees devem ser um destaque claro, com o Meu+ sustentando receita por serviço recorde mesmo sobre uma base forte do quarto trimestre, puxado por serviços e assistências”, destacam os analistas.
Margens
Do lado negativo, os analistas alertam para uma leve pressão sobre a margem financeira líquida e para a normalização da qualidade dos ativos.
“A qualidade de ativos deve seguir em normalização, com NPL 90+ e custo de risco mais altos, refletindo principalmente a menor participação dos empréstimos de FGTS, que têm risco próximo de zero, e o ramp-up do consignado privado”, explicam Guttmann, Guimarães e Meneghetti.
Em fevereiro, o banco concluiu um aumento de capital privado de R$ 498,5 milhões, reforçando os colchões regulatórios para sustentar o crescimento futuro. “Esperamos que os índices de capital já se normalizem no primeiro trimestre de 2026”, projetam os analistas.
INSS
O relatório também aborda o ruído recente envolvendo a suspensão de operações do INSS. Apesar do risco de revisões pontuais nos números, a XP mantém sua visão estrutural.
“O crédito atrelado ao INSS deve continuar sendo um produto de alta rentabilidade para bancos de nicho, apesar dos ruídos de curto prazo”, concluem os analistas.
Com o papel negociando a aproximadamente 6 vezes o lucro estimado para 2026, “vemos uma assimetria em termos de valuation relativo que sustenta o upside de cerca de 60%”, reforçam Guttmann, Guimarães e Meneghetti.
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