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Ações caem até 50% após reeleição de Lula; analista aponta oportunidades na Bolsa

Ações caem até 50% após reeleição de Lula; analista aponta oportunidades na Bolsa

Com a disparada dos juros futuros, empresas endividadas lideram as perdas na B3; Hike Capital destaca diferenças entre os balanços e analisa setores que podem atrair investidores

As empresas com alto endividamento estão entre as mais afetadas pela queda da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto o Ibovespa recua cerca de 16%, às 11h53, ações de Vamos (VAMO3), Cosan (CSAN3), Localiza (RENT3) e Casas Bahia (BHIA3) registram perdas entre 40% e 50%, segundo levantamento da Hike Capital.

Para Maria Carolina Luchesi, analista de investimentos da gestora, a alta dos juros futuros ajuda a explicar a intensidade das quedas. “As empresas mais endividadas concentram as maiores quedas porque a alta dos juros as atinge por três vias: a despesa financeira, já que a maior parte da dívida corporativa é atrelada ao CDI; o custo de refinanciamento, em um mercado de crédito sob estresse; e a taxa de desconto aplicada aos resultados futuros”, explica Maria Carolina.

O impacto pode ser significativo para os acionistas. Segundo a analista, em uma companhia cuja dívida líquida corresponde a 70% do valor total do negócio, uma redução de 10% nesse valor pode provocar uma perda de aproximadamente 33% no patrimônio dos investidores.

Ânima (ANIM3) e Ecorodovias (ECOR3) também integram o grupo de companhias com dívidas elevadas em relação à geração de caixa.

Simpar chama atenção após reduzir endividamento

Apesar das quedas, a Hike Capital identifica oportunidades em empresas que já apresentam mudanças em sua estrutura financeira.

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É o caso da Simpar (SIMH3), controladora de Movida (MOVI3), Vamos e JSL (JSLG3). Na prévia do terceiro trimestre de 2026, divulgada na sexta-feira (23), o grupo informou que sua alavancagem consolidada caiu para 2,8 vezes o Ebitda, menor patamar desde 2010.

A dívida líquida da holding também recuou 54%, chegando a R$ 1,5 bilhão. A redução foi sustentada por aumentos de capital que somaram R$ 3 bilhões e pela venda de 5% da JSL ao BNDESPar.

Na avaliação da Hike, a queda das ações não reflete integralmente a melhora recente do balanço.

Pague Menos e construtoras entram no radar

A gestora também acompanha a Pague Menos (PGMN3), que negocia próxima de seis vezes o lucro estimado para 2026, conforme projeções de mercado.

O setor farmacêutico apresenta demanda relativamente estável, mas a empresa deverá absorver os custos associados ao fim da escala 6×1, cuja transição para a jornada de 40 horas semanais ocorrerá ao longo de 14 meses.

Entre as construtoras, Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) são apontadas pela analista devido à exposição ao Minha Casa, Minha Vida, financiado principalmente com recursos do FGTS e menos dependente da Selic.

No pregão, a Direcional recuava cerca de 22%, enquanto a MRV (MRVE3) registrava queda de 40%.

Para o setor, a disponibilidade de recursos do programa habitacional em 2027 será um dos principais fatores a acompanhar.

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