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Ibovespa derrete após reeleição de Lula, mas 5 ações disparam até 10%; entenda

Ibovespa derrete após reeleição de Lula, mas 5 ações disparam até 10%; entenda

Com o dólar em forte alta após o resultado das eleições, exportadoras e empresas com receitas internacionais registram ganhos na B3, mesmo diante da queda do Ibovespa

Enquanto o Ibovespa registra forte queda nesta segunda-feira (26), em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cinco ações negociadas na Bolsa brasileira apresentaram altas expressivas, às 11h20, chegando a superar 10%. Entre os destaques estão Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e WEG (WEGE3).

O desempenho ocorre em meio à valorização do dólar frente ao real, após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Com receitas provenientes de exportações e operações internacionais, essas companhias possuem exposição ao mercado externo, característica que pode favorecer seus resultados quando a moeda americana se fortalece.

A alta do dólar também acompanha o aumento da volatilidade nos ativos brasileiros. Investidores reavaliam as perspectivas para a política fiscal, os juros e a economia após a confirmação de um novo mandato de Lula.

Quais ações estão subindo na Bolsa?

A Suzano (SUZB3) lidera os ganhos entre as cinco empresas analisadas, com valorização de 10,75%, cotada a R$ 47,69.

A Vale (VALE3) aparece em seguida, com avanço de 6,82%, a R$ 66,12. Já a Embraer (EMBJ3) registra alta de 6,10%, negociada a R$ 93,74.

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Também operam no campo positivo a Metalúrgica Gerdau (GOAU4), que sobe 5,26%, a R$ 12, e a WEG (WEGE3), com valorização de 3,53%, a R$ 44,24.

As cotações representam um recorte do pregão e podem mudar ao longo do dia.

Por que essas ações sobem enquanto o Ibovespa cai?

Um dos fatores que ajudam a explicar a valorização dessas empresas é a relação de suas receitas com o dólar. Parte delas exporta produtos cotados internacionalmente na moeda americana, enquanto outras possuem operações e contratos no exterior.

Na prática, quando o dólar sobe frente ao real, o dinheiro recebido em moeda estrangeira passa a valer mais na conversão para reais.

Uma empresa que vende US$ 100 milhões em produtos, por exemplo, registra uma receita equivalente a R$ 500 milhões com o dólar a R$ 5. Se a cotação passar para R$ 5,50, o mesmo valor recebido no exterior corresponderá a R$ 550 milhões.

A diferença pode contribuir para o faturamento e a rentabilidade, dependendo da estrutura de custos de cada companhia.

Esse efeito, porém, varia conforme o negócio. Empresas com dívidas, matérias-primas ou despesas em dólar também enfrentam custos maiores quando a moeda americana sobe. Por isso, a valorização cambial não se traduz necessariamente em aumento de lucro.

Suzano e Vale têm receitas ligadas a commodities cotadas em dólar

A relação com o mercado internacional é especialmente relevante para Suzano e Vale.

A Suzano é uma das maiores produtoras de celulose do mundo e destina parte significativa de sua produção ao exterior. Como a celulose é negociada internacionalmente em dólar, a valorização da moeda americana pode ampliar o valor das receitas quando convertidas para reais.

A Vale, por sua vez, comercializa minério de ferro e outros minerais no mercado global, também com preços referenciados em dólar.

No caso da mineradora, além do câmbio, os investidores acompanham a cotação do minério de ferro, a demanda chinesa e as condições da indústria siderúrgica internacional.

A Metalúrgica Gerdau, controladora da Gerdau, também possui exposição externa por meio das operações do grupo, especialmente na América do Norte. Seus resultados dependem tanto do desempenho dessas unidades quanto das condições de demanda e dos preços do aço.

Embraer e WEG também possuem exposição ao mercado externo

A Embraer mantém uma parcela relevante de suas vendas direcionada a clientes internacionais. Os contratos de aeronaves são negociados predominantemente em dólar, o que torna o câmbio uma variável importante para a companhia.

A fabricante brasileira também possui custos e compromissos vinculados à moeda americana. Assim, o impacto efetivo sobre seus resultados depende da combinação entre receitas, despesas e instrumentos de proteção cambial.

Na WEG, a presença em diferentes mercados permite que parte das receitas seja gerada fora do Brasil. A companhia possui fábricas, centros de distribuição e operações comerciais em diversos países, com atuação nos segmentos de motores elétricos, automação e equipamentos de energia.

Nesse caso, a exposição internacional também influencia os resultados consolidados, embora o efeito cambial varie entre as unidades de negócio.

Reeleição de Lula pressiona Bolsa e provoca disparada do dólar

A movimentação do mercado nesta segunda-feira ocorre após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O resultado levou investidores a revisar posições montadas antes da votação. Entre os pontos acompanhados pelo mercado estão a condução das contas públicas, a trajetória da dívida federal e os possíveis efeitos da política econômica sobre a inflação e os juros.

A reação provocou uma forte desvalorização do real, com o dólar chegando a R$ 5,60 durante a sessão, além de acionar o mecanismo de interrupção temporária das negociações da B3, conhecido como circuit breaker.

Para as empresas que dependem principalmente do mercado doméstico, juros elevados e maior incerteza econômica podem afetar as expectativas de crescimento e os custos de financiamento.

Já as companhias com receitas em moeda estrangeira podem apresentar uma dinâmica diferente, uma vez que parte de seus negócios está vinculada à demanda e aos preços internacionais.

O que pode influenciar essas ações nos próximos pregões?

O câmbio deve continuar entre os indicadores acompanhados pelos investidores, especialmente diante da reação do mercado às perspectivas para o próximo mandato presidencial.

Para Suzano e Vale, os preços internacionais das commodities também serão determinantes. No caso de Embraer, Gerdau e WEG, fatores como carteira de pedidos, custos industriais, demanda externa e resultados operacionais permanecem relevantes.

Embora o dólar em alta possa favorecer empresas com receitas internacionais, o desempenho das ações não depende exclusivamente da moeda americana.

As valorizações registradas nesta segunda-feira mostram como a composição das receitas e a presença no exterior podem influenciar o comportamento dos papéis em um pregão marcado por forte oscilação dos ativos brasileiros.

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