Home
Notícias
Renda Fixa
Juros futuros disparam após vitória de Lula e beiram 16%

Juros futuros disparam após vitória de Lula e beiram 16%

DI para 2031 vai a 15,79% ao ano; Stephan Kautz vê ajuste fiscal mais exigente, enquanto o BTG projeta juros reais longos acima de 8%

Os juros futuros disparavam nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No recorte das 11h20, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2031 chegava a 15,79% ao ano, aproximando os vencimentos mais longos do patamar de 16%.

A pressão era mais intensa nos contratos de médio e longo prazo. O DI para janeiro de 2030 estava em 15,74% ao ano, enquanto o vencimento de janeiro de 2029 marcava 15,57%. Para janeiro de 2027, a taxa era de 13,792% ao ano.

Veja as taxas de alguns dos principais vencimentos, nos negócios registrados às 11h20:

VencimentoContratoTaxa ao ano
Janeiro de 2027DI1F2713,792%
Janeiro de 2028DI1F2815,160%
Janeiro de 2029DI1F2915,570%
Janeiro de 2030DI1F3015,740%
Janeiro de 2031DI1F3115,790%
Janeiro de 2033DI1F3315,690%
Janeiro de 2035DI1F3515,535%

Os contratos de DI têm como referência a acumulação da taxa interbancária até o vencimento. A cotação é expressa em taxa anualizada, conforme as especificações da B3.

Publicidade
Publicidade

Juros mais altos elevam o esforço para estabilizar a dívida

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, a elevação dos juros aumenta o resultado primário necessário para estabilizar a dívida pública. Em sua avaliação, esse esforço passa por um superávit primário entre 3% e 3,5% do PIB.

O superávit primário corresponde ao saldo positivo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento de juros. Com o custo da dívida mais alto, cresce a exigência de ajuste nas contas públicas, explica o economista.

Kautz também comenta as sinalizações sobre a equipe econômica e as medidas para o próximo mandato.

“Segundo matérias de jornal, o governo tenta sinalizar uma perspectiva de ajuste fiscal e de comunicação, em especial com o mercado, simulando e mencionando nomes que poderiam ocupar o ministério da fazenda e possível agenda de medidas que poderiam ser anunciadas”, afirma.

O economista considera pouco provável um ajuste da magnitude necessária nas próximas semanas e meses. Por isso, avalia que os juros, especialmente na ponta longa da curva, podem permanecer elevados por mais tempo.

Leia também:

BTG projeta juros reais longos acima de 8%

Em relatório desta segunda-feira (26), o BTG Pactual também associa a trajetória dos juros à resposta fiscal do governo. O documento usa como referência um juro real longo de 6,7% e projeta uma alta para mais de 8%.

“Os juros reais de longo prazo estão agora em 6,7%, após caírem 81 pontos-base nos últimos 30 dias. Em nossa visão, os juros reais de longo prazo devem rapidamente superar 8% e permanecer nesse nível à espera da política fiscal revisada do governo para os próximos quatro anos”, escrevem os analistas.

Esses percentuais se referem a juros reais, que descontam o efeito da inflação. Já as taxas dos contratos de DI apresentadas acima são nominais.

O BTG avalia que juros reais mais altos, câmbio mais fraco e expectativas desancoradas podem limitar a velocidade dos cortes da Selic. O relatório cita uma projeção do Focus de 12% para a taxa básica no fim de 2027, mas considera que até esse cenário pode pressupor cortes excessivos, dependendo da política fiscal.

Para o banco, o anúncio de uma equipe econômica com credibilidade e sinais concretos de disciplina fiscal seriam condições para abrir espaço a juros menores.