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Ação do Bradesco cai após balanço com piora na qualidade do crédito

Ação do Bradesco cai após balanço com piora na qualidade do crédito

Índice de cobertura da inadimplência recuou para 152%, ante 161% no trimestre anterior e 178% um ano antes

As ações do Bradesco (BBDC4) caem 0,7% nesta quinta-feira (6), apesar do lucro líquido de R$ 7,05 bilhões no 2º trimestre de 2026, cerca de 1% acima do consenso e das projeções de BTG Pactual, XP Investimentos e Safra. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 16,2%.

A carteira expandida alcançou R$ 1,137 trilhão, avanço de 4% no trimestre e de 11,6% em doze meses, ritmo acima da faixa de 8,5% a 10,5% projetada pela própria instituição. O crédito corporativo puxou o movimento, com alta de 6,7% para pequenas e médias empresas e grandes companhias somadas.

A fatia da carteira com garantias subiu para 61%, contra 58,5% um ano antes. A margem financeira total somou R$ 20,9 bilhões, alta de 15,7% na comparação anual, sustentada por saldos médios maiores e melhores spreads de captação.

O Bradesco entra nesta fase a partir de uma posição de maior força, apoiado por uma carteira mais colateralizada e por avanços nas iniciativas de transformação e eficiência“, escreveram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual.

Qualidade dos ativos vira o ponto de atenção

A inadimplência acima de 90 dias subiu 10 pontos-base, para 4,3%, com pessoas físicas em 5,5% e pequenas e médias empresas em 4,4%. Os saldos classificados em Stage 2, estágio que reúne operações com aumento relevante de risco, passaram a representar 5,5% da carteira, contra 4,9% no trimestre anterior.

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O índice de cobertura recuou para 152%, e as despesas com provisões cresceram 22,6% em um ano, ritmo superior ao da margem financeira.

“Esperamos que a pressão sobre os indicadores de qualidade dos ativos persista nos próximos trimestres, já que a normalização dessas carteiras apoiadas pelo governo deve se estender até o final do ano”, escreveram Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, da XP Investimentos.

A administração atribuiu parte da alta em Stage 2 à sazonalidade do Banco John Deere e a exposições ligadas ao FGI e ao FGO, fundos garantidores que cobrem parcela das perdas em crédito a pequenas e médias empresas. Um caso específico do atacado também entrou na conta.

“As provisões vieram acima do consenso e poderiam ser ainda maiores caso acompanhassem de perto a formação de inadimplência”, apontaram Daniel Vaz e Rafael Nobre, do Safra.

Capital reforçado e foco no patrimônio tangível

O índice de capital principal (CET1) subiu 115 pontos-base no trimestre, para 11,3%, beneficiado pela operação da Bradsaúde e pelo reconhecimento de créditos tributários. O índice de Basileia avançou para 15,5%.

“Reiteramos nossa recomendação outperform e vemos com bons olhos as iniciativas recentes do Bradesco para melhorar o patrimônio tangível diante de um cenário macroeconômico mais duro”, disseram Vaz e Nobre.

O patrimônio tangível somou R$ 32,9 bilhões, alta de 18% no trimestre, puxada pela redução de R$ 4 bilhões em créditos tributários. O índice de eficiência em doze meses melhorou para 48,4%, com o fechamento de mais 260 pontos de atendimento, que levaram a rede a 4.107 unidades.

“Vemos o aumento de capital como um passo proativo para fortalecer o balanço antes do que pode se tornar uma fase mais dura do ciclo de crédito”, apontou Eduardo Rosman.

Na Bradesco Seguros, o lucro líquido chegou a R$ 2,9 bilhões, avanço de 28% em um ano, com ROE de 23%. A sinistralidade, porém, piorou 3 pontos percentuais no trimestre, para 72,7%. Entre os bancos incumbentes, o BTG segue preferindo BBDC4 a BBAS3, com ITUB4 como única recomendação de compra.

“Mantemos nossa recomendação neutra para BBDC4”, concluíram Guttmann, Guimarães e Meneghetti.

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