As ações do Bradesco (BBDC4) caem 0,7% nesta quinta-feira (6), apesar do lucro líquido de R$ 7,05 bilhões no 2º trimestre de 2026, cerca de 1% acima do consenso e das projeções de BTG Pactual, XP Investimentos e Safra. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 16,2%.
A carteira expandida alcançou R$ 1,137 trilhão, avanço de 4% no trimestre e de 11,6% em doze meses, ritmo acima da faixa de 8,5% a 10,5% projetada pela própria instituição. O crédito corporativo puxou o movimento, com alta de 6,7% para pequenas e médias empresas e grandes companhias somadas.
A fatia da carteira com garantias subiu para 61%, contra 58,5% um ano antes. A margem financeira total somou R$ 20,9 bilhões, alta de 15,7% na comparação anual, sustentada por saldos médios maiores e melhores spreads de captação.
“O Bradesco entra nesta fase a partir de uma posição de maior força, apoiado por uma carteira mais colateralizada e por avanços nas iniciativas de transformação e eficiência“, escreveram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual.
Qualidade dos ativos vira o ponto de atenção
A inadimplência acima de 90 dias subiu 10 pontos-base, para 4,3%, com pessoas físicas em 5,5% e pequenas e médias empresas em 4,4%. Os saldos classificados em Stage 2, estágio que reúne operações com aumento relevante de risco, passaram a representar 5,5% da carteira, contra 4,9% no trimestre anterior.
O índice de cobertura recuou para 152%, e as despesas com provisões cresceram 22,6% em um ano, ritmo superior ao da margem financeira.
“Esperamos que a pressão sobre os indicadores de qualidade dos ativos persista nos próximos trimestres, já que a normalização dessas carteiras apoiadas pelo governo deve se estender até o final do ano”, escreveram Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, da XP Investimentos.
A administração atribuiu parte da alta em Stage 2 à sazonalidade do Banco John Deere e a exposições ligadas ao FGI e ao FGO, fundos garantidores que cobrem parcela das perdas em crédito a pequenas e médias empresas. Um caso específico do atacado também entrou na conta.
“As provisões vieram acima do consenso e poderiam ser ainda maiores caso acompanhassem de perto a formação de inadimplência”, apontaram Daniel Vaz e Rafael Nobre, do Safra.
Capital reforçado e foco no patrimônio tangível
O índice de capital principal (CET1) subiu 115 pontos-base no trimestre, para 11,3%, beneficiado pela operação da Bradsaúde e pelo reconhecimento de créditos tributários. O índice de Basileia avançou para 15,5%.
“Reiteramos nossa recomendação outperform e vemos com bons olhos as iniciativas recentes do Bradesco para melhorar o patrimônio tangível diante de um cenário macroeconômico mais duro”, disseram Vaz e Nobre.
O patrimônio tangível somou R$ 32,9 bilhões, alta de 18% no trimestre, puxada pela redução de R$ 4 bilhões em créditos tributários. O índice de eficiência em doze meses melhorou para 48,4%, com o fechamento de mais 260 pontos de atendimento, que levaram a rede a 4.107 unidades.
“Vemos o aumento de capital como um passo proativo para fortalecer o balanço antes do que pode se tornar uma fase mais dura do ciclo de crédito”, apontou Eduardo Rosman.
Na Bradesco Seguros, o lucro líquido chegou a R$ 2,9 bilhões, avanço de 28% em um ano, com ROE de 23%. A sinistralidade, porém, piorou 3 pontos percentuais no trimestre, para 72,7%. Entre os bancos incumbentes, o BTG segue preferindo BBDC4 a BBAS3, com ITUB4 como única recomendação de compra.
“Mantemos nossa recomendação neutra para BBDC4”, concluíram Guttmann, Guimarães e Meneghetti.
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