Home
Notícias
Ações
Banco ABC lucra R$ 257 milhões, mas receita frustra o BTG

Banco ABC lucra R$ 257 milhões, mas receita frustra o BTG

Lucro líquido somou R$ 257 milhões, alta de 12% no trimestre, mas 3% abaixo da projeção do BTG Pactual e 2% aquém do consenso

As ações do Banco ABC (ABCB4) caem cerca de 1% após reportar lucro líquido de R$ 257 milhões no 2º trimestre de 2026, com retorno sobre o patrimônio de 14,3%. O número avançou 12% no trimestre e 5% em um ano, mas ficou 3% abaixo da estimativa do BTG Pactual e 2% aquém do consenso, com a receita total 5% menor que o projetado.

A margem financeira com clientes se recuperou menos do que o banco esperava e subiu 4% no trimestre, para R$ 387 milhões. No consolidado, a linha alcançou R$ 659 milhões, com a margem líquida de juros estável em 4,1%. Os spreads com clientes ganharam 10 pontos-base, para 3,7%, ajudados pela sazonalidade.

O crédito foi o destaque positivo. A carteira expandida chegou a R$ 56,5 bilhões, alta de 3,7% no trimestre e 5% acima da projeção da casa, puxada por Corporate, que avançou 8,4%, e por Middle Market, que cresceu 29% em doze meses e já responde por 9% do total.

Publicidade
Publicidade

Recuperações seguram as provisões

A melhora foi impulsionada em grande parte por R$ 42 milhões de recuperações de crédito, ante apenas R$ 4,5 milhões no 1º trimestre de 2026“, escreveram Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Antonio Pascale, do BTG Pactual.

As provisões somaram R$ 80 milhões, queda de 29% na comparação trimestral, o que levou o custo de risco a 0,6%, ante 0,8% no início do ano. Antes das recuperações, porém, a linha subiu 40% em doze meses, para R$ 122 milhões, enquanto a inadimplência acima de 90 dias passou de 0,5% para 0,6%.

“O efeito de arrasto da margem financeira mais fraca parece mais persistente para os lucros futuros”, apontaram os analistas.

Tarifas fracas e capital reforçado

As receitas de tarifas ficaram em R$ 103 milhões, alta de 16% no trimestre com a normalização dos efeitos de marcação a mercado, mas queda de 9% em um ano. O banco de investimento faturou R$ 29 milhões, ainda 15% abaixo do mesmo período de 2025, e o índice de eficiência melhorou para 41,2%.

“A probabilidade de um ano mais fraco para o mercado de capitais de dívida aumentou, e o 2º trimestre de 2026 reforçou essa visão”, disse Ricardo Buchpiguel.

O capital principal (CET1) subiu 45 pontos-base, para 11,9%, e a instituição anunciou em junho uma nova capitalização de até R$ 169 milhões em juros sobre capital próprio do 1º semestre de 2026, que somaria outros 29 pontos-base na base pro forma. A ação negocia a 0,8 vez o valor patrimonial.

“O que nos preocupa é que os spreads com clientes não parecem estar subindo muito em um momento de deterioração das condições de crédito corporativo”, concluíram Buchpiguel, Rosman e Pascale.