O Banco Inter (INBR32) apresentou mais um trimestre de crescimento consistente, com avanço das receitas, aumento da rentabilidade e melhora da eficiência operacional. Embora o banco tenha ficado ligeiramente abaixo da meta estabelecida pela chamada “Regra dos 50”, analistas da XP avaliam que o desempenho foi sólido, impulsionado principalmente pela expansão da carteira de crédito e pela maior capacidade de monetizar sua base de clientes.
Entre abril e junho, a receita líquida do banco somou R$ 2,6 bilhões, crescimento de 32% em relação ao mesmo período do ano passado. O principal motor desse resultado foi a receita com operações de crédito, que alcançou R$ 2 bilhões, beneficiada pelo aumento da concessão de empréstimos, pela diversificação da carteira e pela melhora da margem financeira, que superou a marca de 10% pela primeira vez.
O lucro líquido chegou ao recorde de R$ 421 milhões, alta de 34% na comparação anual. Com isso, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) avançou para 16,3%, no 16º trimestre consecutivo de crescimento dos lucros. Além do avanço das receitas, o resultado foi favorecido pelo controle das despesas, que cresceram em ritmo inferior ao faturamento.
Monetização impulsiona resultados, mas crédito segue no radar
A base de clientes também continuou em expansão. O Inter encerrou o trimestre com 45,3 milhões de clientes, dos quais 26,4 milhões estavam ativos. Embora o ritmo de aquisição de novos usuários tenha desacelerado, os indicadores mostram que os clientes estão utilizando mais os produtos e serviços da instituição.
Essa estratégia tem se refletido no aumento da receita gerada por cliente. O indicador conhecido como ARPAC, que mede a receita média por cliente ativo, atingiu o maior nível da história do banco. A margem líquida por cliente também renovou seu recorde, indicando que o Inter tem priorizado a rentabilidade da base de clientes, em vez de focar apenas no crescimento do número de contas.
A carteira de crédito alcançou R$ 51,9 bilhões, crescimento de 29% em relação ao ano anterior, ritmo superior ao observado no sistema financeiro. A expansão continua concentrada em linhas consideradas mais rentáveis, como crédito consignado privado, cartões de crédito e financiamento imobiliário.
Essa estratégia, porém, tem um custo. Os indicadores de inadimplência voltaram a subir no trimestre, reforçando uma preocupação que já vinha sendo acompanhada pelo mercado. A taxa de empréstimos com atraso superior a 90 dias chegou a 5,3%, enquanto o custo do risco também aumentou. Ao mesmo tempo, o índice de cobertura, que mede a capacidade do banco de absorver perdas com inadimplência, recuou para 134%, o menor nível da série recente.
Segundo a XP, nenhum desses indicadores representa um problema isoladamente, mas a tendência de deterioração da qualidade da carteira continuará sendo um dos principais pontos de atenção dos investidores. Parte desse movimento está ligada ao desempenho do crédito consignado privado, segmento em que a inadimplência permaneceu elevada por mais tempo do que o esperado, segundo a própria administração do banco.
Por outro lado, a eficiência operacional segue como um dos principais destaques do Inter. As despesas cresceram 19% em relação ao mesmo período do ano passado, abaixo da expansão das receitas. Com isso, o índice de eficiência caiu para 42,1%, o menor da história da instituição, refletindo ganhos de escala e maior controle de custos.
Outro tema que deve permanecer no radar do mercado é a alocação de capital. A administração informou que o banco encerrou o trimestre com cerca de R$ 2,3 bilhões em capital excedente na holding, acima do necessário para sustentar as operações. Para a XP, esse excedente reforça a necessidade de maior clareza sobre a estratégia de alocação de capital nos próximos trimestres.






