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Ação da Usiminas é uma “faca caindo”

Ação da Usiminas é uma “faca caindo”

O Safra elevou o preço-alvo da companhia para o fim de 2026 de R$ 7,70 para R$ 9,70 por ação

A forte valorização das ações da Usiminas (USIM5) desde abril levou o banco Safra a reforçar a recomendação de venda para os papéis da siderúrgica, apesar da revisão positiva nas projeções operacionais. Em relatório, os analistas classificaram o ativo com riscos assiméticos, expressão usada no mercado para indicar um papel que ainda pode sofrer novas quedas mesmo após um período de recuperação.

O Safra elevou o preço-alvo da companhia para o fim de 2026 de R$ 7,70 para R$ 9,70 por ação, mas avaliou que o potencial de valorização ficou limitado após a recente disparada dos papéis. Desde meados de abril, a Usiminas acumulou desempenho superior ao da Gerdau (GGBR4) e ao do Ibovespa em 17% e 37%, respectivamente.

Segundo o banco, o movimento foi impulsionado principalmente pelos resultados do primeiro trimestre de 2026 acima das expectativas do mercado, beneficiados por uma surpresa positiva nos custos dos produtos vendidos (COGS). Parte do ganho de margem Ebitda, porém, decorreu de efeitos cambiais considerados não recorrentes.

Além disso, a queda mais acelerada das importações de aço ajudou na recuperação das vendas domésticas e abriu espaço para reajustes de preços. O relatório destaca que o preço da bobina a quente (HRC) acumula alta de 9% no ano, enquanto cresceu a confiança do mercado em novas medidas antidumping contra produtos importados.

Ainda assim, o Safra entende que boa parte desse cenário mais favorável já está incorporada no preço das ações. Para os analistas, a combinação de demanda doméstica ainda fraca e risco de perda de eficácia das medidas antidumping torna o perfil de risco-retorno mais assimétrico.

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Projeções elevadas

Apesar da visão cautelosa para o papel, o Safra elevou em 34% sua estimativa de Ebitda da Usiminas para 2026, para R$ 2,6 bilhões, levemente acima do consenso de mercado. A revisão foi puxada pela divisão de aço, beneficiada por preços domésticos maiores e redução do custo caixa por tonelada, favorecida pela valorização do real frente ao dólar.

Os volumes de aço projetados recuaram levemente, mas spreads melhores compensaram a perda de produção. Na unidade de mineração, por outro lado, o banco reduziu em 18% a estimativa de Ebitda para 2026, refletindo menores volumes e custos mais altos.

Para 2027, a projeção de Ebitda foi elevada em 19%, para R$ 3,5 bilhões, sustentada por melhora esperada tanto na siderurgia quanto na mineração.

Mesmo com a revisão positiva dos números, o Safra considera o valuation pouco atrativo. A Usiminas negocia a 4,7 vezes EV/Ebitda estimado para 2026 e 3,5 vezes para 2027, acima da média histórica de cinco anos de 3,6 vezes.

Na avaliação dos analistas, o mercado já embute uma recuperação relevante dos resultados futuros, o que aumenta o risco de correção caso os preços do aço não avancem como esperado ou os custos de matérias-primas deixem de ceder.

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