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Atenção! Novo El Niño irá chacoalhar a bolsa brasileira

Atenção! Novo El Niño irá chacoalhar a bolsa brasileira

Veja as 8 ações que terão desempenhos ruins ou positivos com o forte fenômeno climático que se aproxima

O aumento das probabilidades de formação de um El Niño intenso em 2026 levou o Bradesco BBI a publicar nesta segunda-feira (18) um relatório detalhado sobre os efeitos do fenômeno climático sobre a economia brasileira, o agronegócio e os mercados financeiros.

Os analistas do banco identificam os potenciais beneficiários e os principais pontos de atenção para investidores: no campo positivo, destacam AXIA (AXIA6), Eneva (ENEV3), São Martinho (SMTO3), 3tentos (TTEN3) e Camil (CAML3); no campo de cautela, apontam Sabesp (SBSP3), SLC (SLCE3) e M. Dias Branco (MDIA3) como as empresas que exigem maior seletividade diante do cenário climático.

Efeitos geográficos do El Niño

El Niño como risco inflacionário

No campo macroeconômico, o relatório é direto ao apontar o fenômeno como vetor de pressão sobre o IPCA.

“O El Niño representa um risco inflacionário para o Brasil em 2026, com transmissão inicial via alimentos e possibilidade de efeitos secundários sobre energia, logística e expectativas”, afirmam os analistas do Bradesco BBI.

O mecanismo é amplificado pelo peso do agronegócio na estrutura produtiva brasileira e pela heterogeneidade climática do país. Alimentos como frutas, hortaliças, grãos e proteínas animais são os mais vulneráveis a quebras de safra e deterioração de qualidade.

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“Alimentos que haviam apresentado comportamento benigno em 2025, como frutas e vegetais, tendem a reverter para altas mais intensas, refletindo maior sensibilidade às condições climáticas”, alertam.

O banco destaca ainda que, dependendo da persistência do choque, os efeitos podem migrar do índice cheio para o núcleo da inflação, complicando a resposta da política monetária.

Axia
(Imagem: Divulgação/ Axia)

Utilities: seletividade entre beneficiários e prejudicados

No setor elétrico, o El Niño tende a elevar o preço de curto prazo da energia ao reduzir a disponibilidade hídrica e aumentar a demanda por resfriamento.

“Em cenários de elevação de preço, modelos com maior componente indexado ao spot — ou com estratégias comerciais que ampliem a captura de preço — podem apresentar melhor assimetria de resultado”, avaliam os analistas, ao comentar o caso da AXIA.

A Eneva aparece como tese de despacho térmico: “Em um ambiente de maior acionamento de térmicas, a remuneração tende a refletir não apenas o volume despachado, mas também a relevância sistêmica de disponibilidade e flexibilidade operacional.”

Já a Sabesp enfrenta o lado negativo, com risco de compressão de margem por aumento de custos operacionais sem compensação tarifária equivalente no curto prazo.

JBS
(Imagem: Divulgação/ JBS)

Agronegócio: geografia e posição na cadeia

No agronegócio, a análise do Bradesco BBI é heterogênea.

“O El Niño é mais bem modelado como um conjunto de choques que variam por região e por cultura, afetando produtividade, cronograma de safra, qualidade e, em alguns casos, logística”, escrevem os analistas.

São Martinho se beneficia quando produtividade e suporte de preços convergem na cadeia de açúcar e etanol. A 3tentos aparece como tese mais resiliente por combinar varejo agro, originação e serviços.

A Camil pode se beneficiar do repasse de preços em itens básicos, enquanto M. Dias Branco enfrenta o risco oposto: “Se o custo avança mais rápido do que o preço final, há risco de compressão de margem.”

Em proteínas, JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) têm diversificação geográfica como proteção natural, enquanto a Minerva é mais sensível ao ciclo bovino regional.

O banco resume: “O El Niño não é um vilão nem um herói. O que nos resta é adotarmos uma abordagem técnica sobre seus efeitos, baseada em exposição regional, mix e posição na cadeia.”

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