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Bradesco BBI vê “correção exagerada” em ações de drogarias e reforça RADL3 como top pick

Bradesco BBI vê “correção exagerada” em ações de drogarias e reforça RADL3 como top pick

Bradesco BBI mantém compra para RD Saúde e Pague Menos e vê oportunidade de entrada após desvalorização de 20% em três meses

O Bradesco BBI atualizou as projeções para o varejo farmacêutico brasileiro e classificou como injustificada a recente desvalorização das ações do setor, sobretudo da RD Saúde (RADL3), que acumula recuo de 20% em três meses na bolsa.

Em relatório, a equipe de análise do banco manteve a recomendação de compra para a companhia e para a Pague Menos (PGMN3), com a RD Saúde tratada como top pick do segmento. Para o Grupo Panvel (PNVL3), os analistas reiteraram postura mais cautelosa, com recomendação neutra.

Selic mais alta

A revisão dos modelos incorporou um cenário macroeconômico atualizado, com elevação de 0,6 ponto percentual na projeção da Selic média, agora estimada em 14,1% em 2026 e 10,8% em 2027. Mesmo diante de juros estruturalmente mais altos, o banco argumenta que o perfil defensivo das drogarias permanece como diferencial importante para o investidor em ambiente de aversão a risco.

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“A queda recente do papel foi injustificada, especialmente considerando o perfil defensivo e o baixo risco relativo. O ativo negocia hoje a 20,2 vezes o lucro projetado para 2026 e 15,3 vezes para 2027, contra patamares acima de 30 vezes historicamente, e segue como nossa preferência em função da combinação de crescimento e qualidade”, escreveram os analistas, em referência à Raia Drogasil.

Revisão de lucros

A maior revisão positiva foi para a RD Saúde, com elevação de 2% na projeção de lucro líquido de 2026, agora em R$ 1,7 bilhão, e ajuste marginal de queda de 1% para 2027, em R$ 2,24 bilhões. As estimativas ficaram alinhadas ao consenso de mercado, segundo o relatório, e o preço-alvo de RADL3 foi mantido em R$ 27.

Para a Pague Menos, o Bradesco BBI reduziu em 1% a projeção de lucro de 2026, para R$ 384 milhões, e em 7% a de 2027, para R$ 505 milhões. As estimativas também convergem com o consenso. O preço-alvo de PGMN3 caiu de R$ 8 para R$ 7, ainda sustentado pelo que os analistas classificam como valuation atrativo, com múltiplo P/L de 8,8 vezes para 2026 e 6,6 vezes para 2027.

Já as projeções da Panvel sofreram corte de 2% em 2026, para R$ 171 milhões, e de 7% em 2027, para R$ 218 milhões. Diferentemente das demais, as estimativas do banco para a companhia gaúcha seguem abaixo do consenso de mercado, com diferença de 10% em 2026 e 7% em 2027. O preço-alvo de PNVL3 foi reduzido de R$ 16 para R$ 15, refletindo menor potencial de valorização frente às pares. As ações negociam atualmente a múltiplos P/L de 10,5 vezes para 2026 e 8,2 vezes para 2027.

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Olhar adiante

Para o segundo trimestre de 2026, o Bradesco BBI projeta que os resultados do varejo farmacêutico permanecerão fortes, mesmo diante de uma desaceleração marginal no ritmo de crescimento de vendas, sustentados pela expansão das margens operacionais.

“Esperamos que os resultados do setor permaneçam fortes, com crescimento de Ebitda entre 21% e 23% no comparativo anual, apesar de uma leve desaceleração do crescimento de vendas, enquanto as margens Ebitda devem continuar melhorando”, projetaram os analistas.

A combinação de expansão de Ebitda em ritmo acima de 20% com avanço de margens reforça, no diagnóstico do banco, a tese de que o segmento mantém capacidade de geração de resultado mesmo em um ambiente macroeconômico mais adverso, com a taxa básica de juros próxima do pico do ciclo monetário.