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Vale a pena comprar Eletrobras (ELET3; ELET6)?

Vale a pena comprar Eletrobras (ELET3; ELET6)?

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

25 Jul 2022 às 13:14 · Última atualização: 25 Jul 2022 · 7 min leitura

Matheus Gagliano

25 Jul 2022 às 13:14 · 7 min leitura
Última atualização: 25 Jul 2022

Vale a pena compra Eletrobras (ELET3; ELET6)

Vale a pena comprar Eletrobras (ELET3; ELET6)? Esta é uma pergunta que alguns investidores interessados em adquirir ações da empresa recém-privatizada fazem. Muitas variáveis devem ser consideradas, apesar disso. Afinal, a empresa elétrica, embora não seja mais majoritariamente estatal, dá ao governo o direito de possuir a chamada golden share. Isto é, uma ação especial que dá direito de veto em questões considerados estratégicos, ainda que a União não seja mais maioria.

Isto se explica por conta do tamanho e do peso da empresa no cenário energético brasileiro. Antes de prosseguir nessa análise, vamos entender um pouco o que é a Eletrobras, sua história e qual sua importância dentro do cenário energético nacional.

Eletrobras (ELET3; ELET6): sua importância e seu peso

Os dados relativos à operação da Eletrobras no Brasil dão uma ideia de sua relevância no cenário energético nacional.

Na parte de geração de energia, a estatal tem uma capacidade instalada de 50.676 megawatts (MW), isto é: esse é o montante total que as usinas na qual a empresa possui ou tem participação são capazes de gerar. Este número representa 29% de todo o parque gerador nacional.

A garantia física – que é aquilo que as usinas da empresa conseguem entregar ao mercado, chega a 27.565 MW médios, em dados do primeiro trimestre de 2021. Já o total de energia gerada nos três primeiros meses do ano passado foi de 51.545 MW médios, representando 33% de toda a energia gerada no país entre janeiro e março.

As receitas de geração atingiram R$ 1,03 bilhão nos três primeiros meses de 2021 ano contra R$ 930 milhões do mesmo período de 2020.

Com relação ao segmento de transmissão de energia, a companhia é responsável por 43,1% de todas as linhas de transmissão do país. O que significa que estão sob o comando da companhia, um total de 73.230 quilômetros de linhas.

A transmissão é a atividade na qual a energia é enviada a longas distâncias, como por exemplo de uma usina de um determinado estado para outro, onde chega a uma subestação. Neste, a tensão é reduzida para que a energia seja injetada na distribuição local.

História da empresa

A companhia elétrica teve sua fundação em 1961, pelo governo de Jânio Quadros. Mas o projeto de criação de uma estatal de energia circulava no Congresso Nacional desde 1954, por meio de uma proposta do presidente Getúlio Vargas.

Ao longo dos anos, a estatal teve grande importância no processo de industrialização do país. A empresa não apenas contribuiu para a geração e distribuição de energia, mas também para planejamento e expansão do setor.

Hoje a companhia tem suas operações em todo território nacional. Seu maior número das linhas de transmissão elétrica é das empresas subsidiárias.

Vale a pena comprar Eletrobras (ELET3; ELET6)? BTG (BPAC11) recomenda compra

Após a privatização da agora ex-estatal o banco BTG Pactual (BPAC11) retomou a cobertura da companhia e recomendou a compra dos papéis.

e preço-alvo de R$ 62,00. Agora que a elétrica é uma empresa majoritariamente privada, o banco de investimentos vê potencial para crescer mais.

O banco relembrou que após uma longa espera de mais de 25 anos, finalmente aconteceu a privatização da companhia. O BTG calcula que a empresa de energia fora privatizada com sucesso por meio de uma oferta de ações que arrecadou R$ 33,7 bilhões, diluindo a participação votante do governo (Governo BNDES) de 69% para 40%.

“Assim, a Eletrobras pode finalmente se libertar das ineficiências de operar como uma empresa estatal e começar a ser administrada mais como seus pares privados (e mais eficientes) de transmissão e geração”, diz trecho do relatório.

Com isso, o BTG está restabelecendo a cobertura da Eletrobras com recomendação de Compra e preço-alvo de R$ 62 para ELET3 (41% upside) e reiterando-a como uma das principais escolhas no setor de serviços básico.

“Nossa visão é apoiada por um valuation atrativo – a Eletrobras negocia com uma TIR real de 13,5% (6,4x EV/EBITDA para 2023), tornando-a um dos nomes mais baratos sob nossa cobertura, significativo potencial de corte de custos, upside na gestão de passivos/créditos tributários, e a reprecificação de seu portfólio hidrelétrico”, aponta outro trecho do relatório divulgado após a oferta de ações na bolsa.

BTG (BPAC11) vê espaço para crescer mais

De acordo com o banco, compreender uma empresa tão grande e complexa pode ser um desafio, e é por isso que deve-se primeiro reconhecer os esforços da administração nos últimos 6 anos para simplificar a estrutura de capital da empresa, maximizar a eficiência e reduzir a alavancagem para níveis mais sustentáveis.

Mas, apesar de tudo isso, há um teto para o quanto pode ser feito em uma estatal, o que fica evidente quando comparam-se os níveis de eficiência da Eletrobras com os de seus pares privados.

Ainda não precificada como empresa privada

Segundo o BTG, a Eletrobras é um dos nomes mais baratos que cobre. Nos preços atuais, a ação ainda está precificando o que vê como um cenário de uma estatal bem administrada, mas incorporando muito pouco de seu potencial privatizado.

“A combinação de uma base de acionistas muito boa (e ativa) e uma equipe de gestão de alto nível abrirá o caminho para uma história de recuperação bem-sucedida, aumentando significativamente a geração de fluxo de caixa e permitindo que a empresa pague dividendos robustos ou aumente seu poder de fogo para novos investimentos”, completou o relatório.

Tá, e aí?Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos

Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos, havia comentado em live de fechamento de mercado sobre a conclusão da oferta de ações da empresa que há potencial para ela crescer, levando em conta e a relevância dela no cenário nacional.

Para Custódio, a Eletrobras, enquanto empresa estatal e ineficiente tinha um dividend yield de 3,6%, o que era considerado por ele com um bom número. “Imagina o ganho de eficiência com a desestatização”, salientou ele sobre se vale a pena compra Eletrobras (ELET3; ELET6).

Mas esse processo de “arrumação da casa” leva tempo. Segundo o CEO da EQI, vale a pena esperar esse movimento de arrumação. Ele deu o exemplo de outras ex-estatais como a CSN (CSNA3) que tem uma boa performance operacional e se tornou mais eficiente.

Para o executivo, sendo privatizada, a Eletrobras pode ter uma importância semelhante ao que tem hoje a Engie (EGIE3) no mercado, quando comparada com seus pares. “Pode até ser maior então acredito que dominará bem o mercado”, arrematou ele.

Quer saber mais sobre se vale a pena compra Eletrobras (ELET3; ELET6) e como investir melhor? Preencha o cadastro que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato.

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